Uma proposta que merece atenção
Uma proposta do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro chamou minha atenção no plano de governo apresentado para 2027–2030: a implantação do Trem do Nordeste, uma ferrovia de passageiros com cerca de 1.400 quilômetros, ligando sete capitais da região: Salvador, Aracaju, Maceió, Recife, João Pessoa, Natal e Fortaleza. A ideia é utilizar o transporte ferroviário como instrumento de integração regional, estímulo ao turismo e dinamização da atividade econômica.
O que chama atenção, sobretudo, é a novidade de se voltar a discutir seriamente o modal ferroviário para o transporte de passageiros entre as capitais nordestinas. Durante décadas, o Nordeste viu sua malha ferroviária perder espaço para as rodovias, e o trem de passageiros praticamente desapareceu das grandes conexões regionais. Por isso, uma proposta de 1.400 quilômetros de trilhos, ainda que precise ser muito mais detalhada, merece ser colocada na mesa do debate eleitoral.
O projeto prevê um eixo que começaria em Salvador, passaria por Aracaju, Maceió, Recife, João Pessoa e Natal, chegando a Fortaleza. Para o Rio Grande do Norte, a inclusão de Natal é particularmente relevante, pois colocaria o Estado em uma ligação ferroviária direta com seis outras capitais nordestinas.
É claro que uma proposta dessa dimensão precisa responder a perguntas fundamentais: quanto vai custar? Quem vai financiar? Qual será o prazo de implantação? Qual o modelo de concessão? Quantas estações serão construídas? Qual será a velocidade dos trens? E qual será a tarifa? O plano, neste momento, não apresenta essas respostas. A campanha afirma que pretende utilizar capital privado, concessões e PPPs para viabilizar os investimentos.
Mas há um mérito na proposta que não deveria ser ignorado: voltar a pensar o Nordeste sobre trilhos. Independentemente de quem venha a vencer a eleição, a discussão sobre uma rede ferroviária moderna de passageiros, integrada às demais modalidades de transporte, é uma agenda que o Nordeste precisa enfrentar.
Porque, depois de décadas olhando quase exclusivamente para estradas, talvez seja mesmo hora de o Nordeste voltar a olhar para os trilhos.