O Supremo Tribunal Federal atravessa uma das mais graves crises de sua história recente. Conflitos entre ministros, decisões individuais que se chocam e as revelações envolvendo mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e ao ministro Alexandre de Moraes colocaram a própria imagem da Corte sob forte pressão.
Nesse cenário, Edson Fachin tem uma responsabilidade que vai muito além de administrar a pauta do Tribunal. Ao retirar de Moraes a relatoria do inquérito das fake news e suspender decisões conflitantes envolvendo a Polícia Federal, o presidente do STF começou a tentar restabelecer uma ordem institucional que vinha sendo seriamente questionada.
O caso Vorcaro precisa ser tratado com absoluta transparência. As mensagens e as acusações precisam ser investigadas dentro da lei, com contraditório e direito de defesa. Mas também não podem ser simplesmente varridas para debaixo do tapete. Se não há irregularidade, que a apuração demonstre isso. Se houver, que os responsáveis respondam.
O Brasil não precisa de um STF em guerra interna, nem de ministros acima de qualquer questionamento. Precisa de uma Suprema Corte que transmita imparcialidade, equilíbrio e respeito absoluto à Constituição. O próprio Fachin afirmou que a gravidade dos fatos não autoriza atalhos e que nenhuma autoridade está acima da Constituição.
A oportunidade está posta. Fachin pode aproveitar a crise para impor regras, transparência e limites claros à atuação individual dos ministros. Não se trata de proteger A, B ou C. Trata-se de proteger a instituição.
O Supremo não pode continuar sendo notícia por suas brigas internas. Precisa voltar a ser respeitado pelas suas decisões. E, para isso, a moralização da Corte começa por uma regra elementar: ninguém pode estar acima da lei — nem mesmo quem tem a missão de interpretá-la.