As notinhas da sexta-feira
“O QUE MAIS ODEIO É GENTE COMPLICADA E PRECONCEITUOSA, HIPOCRISIA E SER ACORDADO. NENHUMA OUTRA COISA CONSEGUE SER PIOR DO QUE ISSO.” CAZUZA
O Estado não pode ser confundido com um projeto eleitoral

O anúncio do reajuste do Bolsa Família, feito a apenas 17 dias da eleição presidencial, inevitavelmente levanta uma discussão que vai muito além do valor do benefício. Não se trata de questionar a importância de um programa de transferência de renda, essencial para milhões de brasileiros. A questão central é outra: o momento político escolhido para a decisão.
Governar exige responsabilidade republicana. Isso significa compreender que políticas públicas pertencem ao Estado brasileiro, e não ao patrimônio político de quem ocupa temporariamente o poder. Quando uma medida de enorme alcance social é anunciada às vésperas da eleição, a fronteira entre administração pública e estratégia eleitoral passa a ser objeto de legítimo debate público.
E há um dado que torna essa discussão ainda mais relevante. Em 31 de agosto, apenas 17 dias antes do anúncio do aumento, o próprio governo enviou ao Congresso a proposta de Orçamento de 2027 sem previsão de reajuste para o Bolsa Família. Pela proposta, o benefício mínimo permaneceria em R$ 600 por família. Na ocasião, o ministro do Planejamento afirmou expressamente que não havia previsão de reajuste.
Agora, o governo elevou o benefício mínimo de R$ 600 para R$ 691 – reajuste de 15,04%. A justificativa oficial é a recomposição da inflação acumulada desde 2023. O aumento terá impacto estimado de R$ 5,8 bilhões ainda em 2026 e de aproximadamente R$ 22 bilhões em 2027.
A sequência dos fatos, portanto, está documentada: em 31 de agosto, o Orçamento enviado pelo governo não previa aumento; 17 dias depois, a 17 dias da eleição, o reajuste foi anunciado. É justamente essa cronologia que coloca o momento da decisão no centro do debate público.
Uma República forte não se constrói apenas obedecendo à letra da lei. Constrói-se também respeitando princípios como moralidade, impessoalidade e separação entre interesse público e conveniência política. O cidadão precisa ter segurança de que benefícios sociais são definidos por critérios técnicos, econômicos e sociais – e não pelo calendário das urnas.
É preciso dizer com clareza: Bolsa Família não é favor de presidente, nem patrimônio de governo. É uma política pública financiada pela sociedade e destinada a garantir proteção às famílias em situação de vulnerabilidade.
A democracia perde qualidade quando a máquina estatal passa a produzir, ainda que simbolicamente, dividendos eleitorais para quem está no poder. O debate não é contra o benefício; é contra a utilização do tempo, da estrutura e da visibilidade do Estado de maneira que desperte a suspeita de confusão entre governo e campanha.
Em uma verdadeira postura republicana, programas sociais devem ser permanentes, previsíveis, transparentes e institucionalizados. O Estado precisa servir ao cidadão durante os quatro anos de mandato – e não parecer mais generoso exatamente quando faltam poucos dias para o eleitor decidir seu voto e as pesquisas apresentam um empate técnico com o principal opositor.
O Bolsa Família é uma política de Estado. E política de Estado não deveria depender do calendário eleitoral.
Quase R$ 200 bilhões às vésperas das urnas
A informação publicada pela Folha de S.Paulo, em reportagem assinada por Guilherme Pimenta, merece atenção: o chamado pacote de “bondades” do governo Lula em pleno ano eleitoral já mobiliza R$ 193,8 bilhões, distribuídos em 20 medidas. O número, por si só, impressiona. Mas impressiona ainda mais quando colocado no calendário: faltam apenas 16 dias para o primeiro turno, em 4 de outubro.
Não se trata de questionar isoladamente programas sociais, crédito, subsídios ou medidas para conter preços. A questão que merece debate é o efeito político de um conjunto dessa magnitude concentrado justamente no ano em que o presidente disputa a reeleição. Segundo a Folha, nove das 20 medidas podem produzir impacto primário, por despesas diretas ou renúncia de receitas; as demais envolvem principalmente linhas de crédito subsidiadas, apoiadas por fundos estatais de garantia. O governo nega motivação eleitoral e afirma que as iniciativas são responsáveis e compatíveis com o Orçamento.
Há ainda uma contradição política que chama atenção. O mesmo governo que trava sucessivos embates com o Congresso em torno das emendas parlamentares mobiliza, por iniciativa própria, quase R$ 200 bilhões em medidas num ano eleitoral. Para efeito de comparação, todo o Orçamento de 2026 reservou aproximadamente R$ 61 bilhões para emendas parlamentares — distribuídas entre os 513 deputados e 81 senadores, além das bancadas e comissões. O pacote do Executivo supera esse montante em mais de três vezes.
O problema, portanto, ultrapassa a discussão fiscal. É também institucional. Quando um governo que disputa a permanência no poder movimenta recursos e benefícios dessa dimensão às vésperas das urnas, é legítimo discutir até que ponto políticas públicas de interesse social podem produzir também vantagem política para quem controla a máquina federal.
A democracia exige mais do que eleições livres. Exige condições de disputa que não confundam Estado, governo e campanha eleitoral. Quase R$ 200 bilhões mobilizados em “bondades” no ano da eleição constituem uma dimensão grande demais para que essa discussão seja simplesmente descartada como disputa retórica entre governo e oposição.

Hospital Municipal começa, finalmente, a atender pacientes

O Hospital Municipal de Natal São Padre Pio começou, nesta sexta-feira (18), a receber efetivamente seus primeiros pacientes. A abertura ocorre de forma escalonada, começando por uma das áreas de maior demanda da rede municipal: a pediatria. São 18 leitos, sendo 12 de enfermaria clínica pediátrica e seis destinados à atenção psicossocial infantojuvenil.
Também começa a funcionar nesta sexta-feira o Centro de Diagnóstico por Imagem, inicialmente oferecendo ecocardiograma, raio-X e ultrassonografia para pacientes que já estão regulados e aguardam na fila do município. Nesta primeira etapa, portanto, o hospital não funciona em regime de porta aberta: tanto os internamentos quanto os exames dependem de encaminhamento pelo sistema de regulação.
A estrutura será ampliada já a partir da próxima semana. A programação prevê a abertura de 10 leitos de UTI, seguida pela entrada em funcionamento dos leitos de enfermaria clínica médica adulta, incluindo seis destinados à saúde mental, e, posteriormente, do centro cirúrgico.
Quando estiver com seus serviços ampliados, o São Padre Pio contará ainda com atendimento neonatal, ginecológico e obstétrico, além de atendimento 24 horas para urgências de alto risco. A estrutura dispõe também de farmácia central e áreas de apoio aos serviços hospitalares.
Depois de uma longa espera – o prédio havia sido inaugurado oficialmente em 30 de dezembro de 2024, mas permaneceu sem receber pacientes -, o fato mais importante agora é que o hospital começa, finalmente, a cumprir a finalidade para a qual foi construído: atender a população e ampliar a capacidade da rede pública de saúde de Natal. O desafio passa a ser acelerar, com segurança, a abertura dos demais serviços para que toda a estrutura disponível seja efetivamente colocada à disposição dos natalenses.
Para Natal, mais importante do que a placa de inauguração é ver o hospital com médicos, profissionais de saúde, equipamentos funcionando e pacientes sendo atendidos. O prefeito Paulinho Freire cumpre o compromisso assumido. A partir de hoje, começa a sair efetivamente do papel.
Pílulas
- A TV Tropical promove nesta segunda-feira, a partir das 18h, debate entre os candidatos ao Governo do Estado do RN, Allyson Bezerra (União Brasil), Álvaro Dias (PL), Cadu de Lula (PT) e Professor Robério Paulino (PSOL).
- Com mediação do jornalista Murilo Meireles, o encontro será transmitido pela televisão e também pelos canais digitais da emissora e a rádio Mix Natal – 103,9 FM. Será mais uma oportunidade para o eleitor acompanhar, lado a lado, as propostas dos candidatos e as diferentes posições sobre os principais desafios do Rio Grande do Norte.
- O mercado financeiro brasileiro encerrou esta quinta-feira (17) em clima de forte volatilidade. O Ibovespa fechou em alta de 0,24%, aos 185.992 pontos, enquanto o dólar comercial recuou 0,24%, cotado a R$ 5,139. No ano, a Bolsa acumula valorização de 15,43%, enquanto a moeda norte-americana registra queda de 6,38%. No câmbio, o dólar comercial recuou 0,23% e terminou vendido a R$ 5,1393. O euro comercial também fechou em queda, de 0,19%, cotado a R$ 5,900.
- O Jornal da Record dá sequência nesta sexta-feira (18) à série de entrevistas com os candidatos à Presidência da República. O entrevistado da vez será Flávio Bolsonaro (PL). A conversa será conduzida pelos jornalistas Mariana Godoy e Eduardo Ribeiro, terá duração prevista de 30 minutos e abordará propostas e temas centrais da disputa pelo Palácio do Planalto.
- A série prossegue com Augusto Cury (Avante), no dia 19, e será encerrada por Renan Santos (Missão), no dia 22. As entrevistas são realizadas ao vivo dentro do Jornal da Record, que vai ao ar a partir das 19h45, e fazem parte da cobertura da emissora para as eleições presidenciais de 2026.
- O sábado será de samba e solidariedade no Museu da Rampa. A partir das 16h, o Boteco do Samba – A Festa da Caravana Natal reúne Mesa Doze, Quarteto Linha, Samba do Zé, Entre Elas e Btukedô para uma grande roda de samba às margens do Potengi, unindo música, encontro e solidariedade em um dos cenários mais bonitos de Natal.
Aniversariantes
Parabéns aos aniversariantes desta sexta-feira, 18 de setembro: Marcelo Alves, Kleber Rodrigues, Ivete Mathias, Nivea Maria, Wanderlei Moreira, Getulio Ribeiro, Simone Morais, Francisco Ramos, Henrique Oliveira, Eugenio Cantidio, Maria Alice Salustino, Lisiane Burin, Eleonora Cunha, Ohara Medeiros,
Manchetes
Folha de S.Paulo – Lula reajusta Bolsa Família a 17 dias da eleição; custo será de R$ 22 bi
O Globo – Lula aumenta valor do Bolsa Família a 17 dias da eleição
O Estado de S. Paulo – A 17 dias da eleição, Lula reajusta Bolsa Família e fala em dar caneta emagrecedora
Tribuna do Norte – Governo do RN prevê déficit de R$ 1,19 bilhão no orçamento de 2027
Efemérides – Hoje é..
Dia da Televisão Brasileira – Dia dos Símbolos Nacionais – Dia da Família Militar – Dia do Quiropraxista –