A tentativa de Cadu Xavier, no debate da TV Tropical, de transformar Robinson Faria numa espécie de herança política de Allyson Bezerra esbarra num detalhe inconveniente: a história.
Quando Robinson chegou ao Governo, em 2015, Allyson sequer havia iniciado sua trajetória em cargos eletivos. O PT, por sua vez, havia participado diretamente da construção daquela vitória. Em 2014, Robinson e Fátima Bezerra estiveram juntos na eleição: ele para o Governo e ela para o Senado. Depois da posse, o PT passou a integrar a administração, indicando nomes para o primeiro e o segundo escalões. Fernando Mineiro, então deputado estadual pelo partido, chegou a exercer a liderança da bancada governista na Assembleia Legislativa.
A presença petista não foi meramente figurativa. A Secretaria de Educação, uma das maiores e mais importantes estruturas do Estado, ficou com o PT, por indicação do grupo de Mineiro, que venceu no voto uma disputa interna contra o grupo de Fátima Bezerra. O partido também indicou os titulares das áreas de Juventude, Assuntos Fundiários, Mulheres, Emater e Fundação José Augusto. À época, Saúde e Tributação também eram apontadas no ambiente político como espaços ligados à participação do PT na composição do governo. A formação daquele primeiro secretariado evidencia o espaço ocupado pelo partido na administração Robinson.
Antes de Robinson virar personagem inconveniente nesse discurso petista de ocasião, houve aliança eleitoral, participação no governo, sustentação política e muita disputa interna com outras forças por espaço na administração.
Hoje, é fato que Robinson está no mesmo campo eleitoral de Allyson, e é essa participação que Cadu procura explorar na campanha. Mas isso não apaga a cronologia: a relação política do PT com Robinson antecede em muitos anos a entrada de Allyson na política eleitoral e, claro, a de Cadu Xavier também, que estreia agora numa disputa eleitoral.
Em campanha, memória curta pode até ser estratégia, e memória seletiva, conveniência. Mas os fatos permanecem. O PT teve com Robinson uma convivência política que Allyson nunca teve e nem tem. O discurso pode mudar. A história, não.