“DE TANTO VER TRIUNFAR AS NULIDADES, DE TANTO VER PROSPERAR A DESONRA, DE TANTO VER CRESCER A INJUSTIÇA, DE TANTO VER AGIGANTAREM-SE OS PODERES NAS MÃOS DOS MAUS, O HOMEM CHEGA A DESANIMAR DA VIRTUDE, A RIR-SE DA HONRA, A TER VERGONHA DE SER HONESTO.” RUI BARBOSA
Enquanto isso, a eleição para presidente do Grêmio Recreativo de Pindorama segue animadíssima…
A eleição presidencial entrou na reta final com, digamos, alguns probleminhas de interferência jurídica. Regra que muda, candidato que entra, candidato que sai, pergunta que não pode ser feita e debate que acaba sem debate. Tudo em cima da hora, naturalmente – porque emoção pouca é bobagem.
O resultado foi um daqueles espetáculos capazes de surpreender, constranger e fazer o velho “vale tudo” eleitoral parecer brincadeira de criança. Se fosse roteiro de ficção, talvez o autor fosse acusado de exagerar. Mas, como mostram as capas dos três principais jornais do país nesta sexta-feira, foi apenas mais um dia normal em Pindorama.

Entre bondades e togas, a eleição chega à reta final
A eleição brasileira chega aos últimos metros cercada por uma extraordinária movimentação do poder público. De um lado, o governo federal abriu a temporada de bondades e não é pouca coisa.
Dependendo da metodologia utilizada, o conjunto de benefícios, subsídios, renúncias, reforços de programas e linhas de crédito anunciados pelo governo Lula no ano eleitoral mobiliza algo entre R$ 200 bilhões e R$ 270 bilhões. Nem tudo isso representa gasto direto dos cofres públicos, parte corresponde a crédito e medidas com compensação fiscal, mas a dimensão econômica do pacote é indiscutível.
O que torna o assunto politicamente explosivo é o calendário: algumas das medidas de maior apelo popular chegaram justamente na reta final da eleição. O governo nega finalidade eleitoral e afirma que as ações são fiscalmente responsáveis; adversários questionam algumas delas na Justiça Eleitoral. A discussão, portanto, não é apenas quanto custa. É também onde termina a política pública e onde começa a estratégia eleitoral.
Do outro lado, está um Judiciário cada vez mais presente no tabuleiro eleitoral. O episódio do debate da Globo tornou isso especialmente visível: decisões de última hora proibiram a exposição do púlpito vazio de Lula e perguntas dirigidas ao candidato ausente, além de determinarem a inclusão de Renan Santos. A própria Globo afirmou que as intervenções produziram “insegurança jurídica” e interferiram na organização do debate; o TSE, por sua vez, tardiamente, fundamentou a decisão sobre Lula na necessidade de evitar desequilíbrio entre os candidatos.
E nem mesmo as regras do debate escaparam: previamente apresentadas, discutidas, aprovadas e assinadas pelos representantes dos candidatos, foram derrubadas pela Justiça na reta final.
Assim, a reta final de 2026 vai sendo marcada por duas discussões inevitáveis: até onde políticas públicas em ano eleitoral são simplesmente governo – e a partir de onde passam a produzir vantagem eleitoral? E até onde a Justiça arbitra o jogo – e a partir de onde sua intervenção passa a ser percebida como parte dele?
Num processo eleitoral saudável, essas perguntas não deveriam incomodar ninguém. Deveriam preocupar todos.
O chamado “pacote de bondades” de 2026
Tomando como referência o levantamento mais recente da Folha de S.Paulo, o conjunto chegou a 22 ações e até R$ 215,6 bilhões em recursos envolvidos no fim de setembro. Nem todo esse montante é gasto público: entram na conta despesas, renúncias tributárias, subsídios e, sobretudo, linhas de crédito apoiadas por fundos públicos.
- Bolsa Família — reajuste de 15,04%.
- Gás do Povo — distribuição gratuita da recarga do botijão para famílias de baixa renda.
- Energia elétrica — ampliação da Tarifa Social, incluindo gratuidade para determinados consumidores de baixa renda e desconto social para outra faixa de renda.
- Combustíveis — diesel — subvenção de R$ 1 por litro, com impacto estimado em aproximadamente R$ 5 bilhões por mês.
- Combustíveis — gasolina e etanol — redução de PIS/Cofins sobre a gasolina e zeragem das contribuições sobre o etanol hidratado.
- Desenrola Brasil 2.0 — aporte de até R$ 15 bilhões no Fundo de Garantia de Operações para dar sustentação às renegociações de dívidas.
- Desenrola Brasil 3.0 — previsão de até R$ 15 bilhões para aquisição, com grande desconto, de carteiras de dívidas.
- Desenrola Adimplentes — modalidade destinada principalmente a autônomos e trabalhadores informais, posteriormente prorrogada, para refinanciamento de determinados créditos.
- Move Brasil — linha de R$ 30 bilhões para taxistas e motoristas de aplicativos financiarem a renovação de seus veículos.
- Motos para entregadores de aplicativos — linha estimada em cerca de R$ 4 bilhões para aquisição ou substituição de motocicletas.
- Renovação de caminhões e ônibus — financiamento de R$ 21,2 bilhões para compra de veículos novos.
- Máquinas agrícolas — linha de R$ 10 bilhões para aquisição de máquinas por produtores rurais.
- Minha Casa, Minha Vida — reforço de R$ 500 milhões nos recursos destinados aos descontos concedidos às faixas 1 e 2, provenientes do FGTS.
- Crédito para reforma habitacional — expansão do financiamento destinado à reforma de moradias, dentro do Reforma Casa Brasil.
- Crédito consignado para trabalhadores privados — ampliação do acesso ao crédito com desconto em folha para trabalhadores do setor privado.
- Crédito para microempreendedores e empresas — ampliação de linhas apoiadas por fundos públicos; o levantamento inicial da Folha incluía crédito para MEIs e diferentes setores empresariais.
- Crédito para estudantes do Fies — medidas de financiamento/renegociação envolvendo estudantes também aparecem no levantamento das linhas de crédito.
- FGTS — liberação extraordinária de recursos do Fundo; o levantamento de maio contabilizava cerca de R$ 15,2 bilhões.
- Fim da chamada “taxa das blusinhas” — revogação da tributação sobre compras internacionais de até US$ 50;
- Fim das bets — proibição das casas de apostas on-line entrou no cálculo mais recente por representar perda de arrecadação estimada em R$ 6,8 bilhões, considerando 2026 e receitas previstas para 2027. Folha de S.Paulo
- Outras linhas de crédito setoriais — o pacote contabilizado ao longo do ano também envolveu recursos para indústria, agronegócio e outros segmentos. Folha de S.Paulo
- Medidas adicionais de habitação/crédito garantido por fundos públicos completam o conjunto contabilizado pela Folha; como algumas foram alteradas ou incorporadas a programas maiores ao longo do ano, a composição varia conforme a data do levantamento. Em maio eram 11 medidas, em junho 16, em 17 de setembro 20 e, em 28 de setembro, 22.
Há ainda a medida anunciada agora em 1º de outubro, relativa à renda para mulheres vítimas de violência doméstica afastadas judicialmente do trabalho por até seis meses.
Em maio eram 11 medidas e R$ 143,7 bilhões; no fim de junho, 16 medidas e cerca de R$ 180 bilhões; em 17 de setembro, 20 ações e R$ 193,8 bilhões; e, em 28 de setembro, 22 ações e até R$ 215,6 bilhões.
Isso permite mostrar a aceleração dos anúncios ao longo do ano eleitoral sem concluir, como fato, que a finalidade das medidas seja eleitoral – interpretação defendida por críticos opositores e rejeitada pelo governo.
A pergunta que já não pode ser evitada

Depois de tantas controvérsias nesta reta final, perguntar tornou-se mais do que legítimo: o processo eleitoral brasileiro está preservando, de fato, condições de igualdade entre os candidatos?
Na véspera do último debate, decisões do TSE e do STF alteraram regras previamente acordadas entre a Globo e os partidos, levando a emissora a alegar ‘insegurança jurídica’ e cancelar o encontro.”
Isso, somado às demais disputas judiciais e políticas da campanha, coloca uma questão que merece resposta sem paixões partidárias: as instituições estão apenas garantindo as regras do jogo ou suas intervenções já afetam a percepção de equilíbrio da disputa? Afirmar que o processo está “maculado” exige uma conclusão jurídica e factual mais ampla. Questionar sua isonomia, diante de episódios concretos, é parte legítima do debate democrático.
Pílulas
- Enfim, uma boa notícia para aposentados e pensionistas do INSS: comparecer às urnas neste domingo, 4 de outubro, também poderá valer como prova de vida. O registro eleitoral é utilizado pelo INSS no cruzamento automático de dados, dispensando o beneficiário de fazer outra comprovação quando o voto for suficiente para a atualização.
- É uma daquelas peculiaridades burocráticas brasileiras: além de escolher seus representantes, o cidadão aproveita para informar oficialmente ao Estado que continua por aqui. E, desta vez, sem fila extra.
- O mercado financeiro brasileiro encerrou ontem, quinta-feira (1º), em clima de cautela, a poucos dias do primeiro turno das eleições. O Ibovespa fechou em alta de 0,46%, aos 187.197,46 pontos, na terceira sessão consecutiva de ganhos.
- O dólar comercial avançou 0,88% e terminou vendido a R$ 5,2204, acompanhando o fortalecimento da moeda americana no exterior, a elevação dos juros dos títulos dos EUA e a pressão do petróleo, que voltou a superar US$ 100. O euro comercial fechou vendido a R$ 5,8700, com alta de 0,17%.
- O eleitor potiguar poderá votar neste domingo sem a tradicional Lei Seca eleitoral. A Secretaria de Segurança Pública do RN confirmou que não haverá restrição à venda nem ao consumo de bebidas alcoólicas durante o primeiro turno. Assim, bares, restaurantes, supermercados e demais estabelecimentos poderão comercializar bebidas normalmente.
- A decisão não é nacional: cada estado pode adotar regras próprias para o dia da votação. No RN, portanto, urna e bar estarão abertos, cada um, evidentemente, cumprindo a sua função.
- O Poder Judiciário chega às eleições de 2026 ocupando um espaço de enorme visibilidade na vida política nacional. A própria reta final do pleito registrou decisões individuais com efeitos imediatos sobre questões eleitorais, ao mesmo tempo em que o presidente do TSE manifestou ao STF preocupação com possível sobreposição de competências entre as Cortes.
- Decisões monocráticas são instrumentos previstos no funcionamento dos tribunais, mas, quando produzem efeitos relevantes em plena disputa eleitoral, inevitavelmente ampliam o debate sobre seus limites, a segurança jurídica e o equilíbrio entre a necessária atuação da Justiça e o protagonismo que ela passa a exercer no processo político.
Aniversariantes
Parabéns aos aniversariantes desta sexta-feira, 02 de outubro: Fernando Cunha, Cristiana Motta, João Hernandes, Solange Portela, Marina Bezerra Férrer, Camila Freitas de Macêdo, Karol Souza, Geórgia Assis, Alfredo Guilherme, Vladimir Vidal.
Serrinha – 63 anos
Manchetes
Folha de S.Paulo – Lula tem 45% e Flávio, 40% dos votos válidos no 1º turno, aponta Datafolha
O Globo – Eleição fica sem debate após decisões judiciais
O Estado de S. Paulo – TSE veta púlpito sem Lula, Gilmar inclui Renan, Flávio desiste e debate é cancelado
Tribuna do Norte – Eleições vão contar com 12 mil agentes para garantir tranquilidade da votação
Efemérides – Hoje é...
Hoje é Dia do Sorriso – Dia do Anjo da Guarda – Dia da Não Violência – Dia do Pedagogo Social – Dia dos Animais de Fazenda – Dia da Linguagem Corporal – Dia do Pacifismo Ativo e pelo Desarmamento