
O empresário Carlos Augusto Montenegro, que comandou o Ibope por mais de 40 anos, fez uma análise contundente do cenário eleitoral em entrevista ao Brazil Journal, publicada nesta sexta-feira (16). Aos 72 anos, ele questiona a capacidade dos institutos de captar o comportamento do eleitorado e considera que a vantagem de Flávio Bolsonaro sobre Lula pode ser maior do que indicam as pesquisas.
Montenegro avalia que levantamentos apontando 51% a 49% podem, na realidade, representar uma diferença próxima de 53% a 47%. A interpretação, segundo ele, leva em conta as discrepâncias registradas no primeiro turno e as dificuldades enfrentadas pelos pesquisadores para entrevistar eleitores de direita, além das restrições de acesso a áreas dominadas pelo crime organizado.
Outro ponto destacado é a transferência dos votos dos candidatos derrotados. Montenegro observa que quatro candidaturas de centro-direita somaram aproximadamente 9 milhões de votos, enquanto Flávio recebeu 56 milhões e Lula, 53 milhões. Para ele, esses números merecem atenção na análise do segundo turno, embora não signifiquem transferência automática de votos.
O ex-presidente do Ibope também identifica um crescimento estrutural da centro-direita, associado ao desgaste do governo Lula, especialmente pelos efeitos da carestia sobre a população. Na sua avaliação, o PT enfrenta dificuldades de renovação e depende cada vez mais da liderança pessoal do presidente.
Montenegro considera ainda que manifestações de rua e debates eleitorais têm influência limitada sobre uma disputa marcada pela polarização. Para ele, o eleitor menos mobilizado politicamente, que não participa dos atos públicos, terá papel importante na definição do resultado.
O empresário também projeta mudanças no campo conservador para 2030, com possível fortalecimento de Tarcísio de Freitas e redução do protagonismo da família Bolsonaro.
As avaliações são opiniões de Montenegro, não conclusões de uma nova pesquisa eleitoral.