Ir e vir, direito de ninguém.
Quem reside, veraneia ou frequenta as praias do litoral sul de Natal sabe: sair de casa, no verão ou no carnaval, virou um grande teste de paciência.
De Pirangi do Norte a Búzios, passando por Pirangi do Sul e Pirambúzios e afetando também quem vai de Tabatinga, Camurupim e Barreta em direção a Natal, o cenário se repete: congestionamentos longos, deslocamentos lentos e uma sensação generalizada de abandono.
O problema é claro e tem endereço: o superadensamento, incialmente em Pirangi, e mais recentemente em Búzios. Nos últimos anos, a região assistiu à explosão de condomínios, muitos já entregues, alguns em construção e outros em fase de lançamento. O crescimento imobiliário avança em ritmo acelerado. A infraestrutura viária, no entanto, continua praticamente a mesma de mais de 30 anos.
O resultado é previsível: ruas estreitas, poucos acessos, gargalos históricos e nenhuma alternativa real de mobilidade. Basta um pequeno aumento no fluxo, um fim de semana de sol, um feriado prolongado ou o carnaval, para que o sistema entre em colapso.
Não há turismo que sobreviva sem infraestrutura viária adequada. Não há veranista que não reclame do tempo perdido dentro do carro para percorrer distâncias curtas. Não há morador que não sinta o impacto direto na sua qualidade de vida. O que deveria ser descanso se transforma em estresse. O que deveria ser desenvolvimento vira desorganização.
O mais grave é a ausência de planejamento estruturante. Não são conhecidos estudos públicos amplos, projetos executivos consistentes, investimentos em duplicações, novas vias de acesso, integração entre governo do estado, municípios e alternativas de mobilidade. Falta iniciativa concreta. Falta prioridade. Falta visão de futuro.
O litoral sul cresce e continuará crescendo. Ignorar isso é fechar os olhos para uma realidade irreversível. Desenvolvimento sem infraestrutura não é progresso: é improviso caro, que cobra seu preço todos os dias de quem mora, trabalha ou investe na região.
Hoje, o sentimento predominante é de que todos estão entregues ao que vier. E isso, para uma das áreas mais bonitas e promissoras do Rio Grande do Norte, é simplesmente lamentável.