Lazer faz a vida valer.
O lazer ainda é, para muita gente, um intervalo raro, quase um prêmio depois de longas jornadas de trabalho. Mas, neste Dia Mundial do Lazer, a provocação é outra: e se ele for, na verdade, um direito básico?
É essa a reflexão proposta por Makhaya Malema, professor sênior da Universidade do Cabo e pesquisador das áreas de esporte, recreação e exercício. Aos 35 anos, ele tem defendido uma mudança de perspectiva que pode parecer simples, mas carrega implicações profundas: tirar o lazer do campo do privilégio e colocá-lo ao lado de direitos fundamentais como saúde, educação e moradia.
A data, celebrada nesta quinta-feira (16), foi criada há apenas cinco anos pela Organização Mundial do Lazer, ligada às Nações Unidas. Ainda recente, ela surge como um convite global para repensar rotinas, cidades e políticas públicas, sobretudo em países do Sul Global, onde, segundo Malema, o lazer ainda é frequentemente associado a consumo e poder aquisitivo.
Em visita ao Brasil, a convite do Sesc-SP, o pesquisador reforça que o problema não é apenas a falta de infraestrutura, mas de consciência coletiva. Quando o lazer é visto como algo supérfluo, ele deixa de ser prioridade e milhões de pessoas acabam privadas de experiências essenciais para o bem-estar físico, mental e social.
Mais do que descanso, o lazer é convivência, cultura, movimento e identidade. É no tempo livre que se constroem vínculos, se exploram talentos e se recupera o equilíbrio. Ignorá-lo como direito é, de certa forma, aceitar uma vida incompleta.
Neste Dia Mundial do Lazer, a proposta é direta: menos culpa por pausar, mais reconhecimento de que o tempo de viver também precisa de espaço garantido.
Viva a vida.