Onde estão os camisas 10 do Brasil?
O futebol de base no Brasil está seguindo um caminho preocupante. Cada vez mais, os clubes priorizam jogadores fortes, altos e fisicamente prontos, enquanto o talento vai ficando em segundo plano.
Não é difícil perceber o padrão: buscamos atletas que executem bem uma função, mas estamos deixando de formar jogadores que pensam o jogo.
No mercado de trabalho, o cenário começa a ficar parecido. Empresas estão cheias de profissionais técnicos, organizados, disciplinados… mas cada vez mais escassas de gente que decide, que assume responsabilidade e resolve problemas sem precisar de roteiro.
Estamos formando executores. E esquecendo dos protagonistas. O resultado, dentro e fora de campo, é o mesmo: uma geração parecida. Cumpre bem o papel, mas raramente muda o jogo.
O problema é que isso vai contra a essência do que sempre nos diferenciou. No futebol, o Brasil construiu sua história com talento, ousadia e improviso. Jogadores como Ronaldinho Gaúcho e Zico não eram apenas eficientes. Eles eram criativos, imprevisíveis, decisivos.
No mercado, os “camisas 10” sempre foram aqueles profissionais que enxergam antes, pensam diferente e encontram solução onde a maioria só vê problema.
Mas fica a dúvida: esse perfil ainda está sendo desenvolvido? Ou está sendo travado?
Quantas vezes alguém com potencial não é limitado por excesso de processo, por medo de errar ou por uma cultura que valoriza mais o controle do que a criatividade?
No futebol, vemos atacantes cada vez mais longe do gol. No mercado, profissionais cada vez mais longe da decisão. Muito preparo. Pouca autonomia.
E aí surge a pergunta inevitável: Onde estão os camisas 10? Será que eles sumiram… ou estamos deixando de formar?
Talvez o problema não seja a falta de talento. Talvez seja o ambiente que não permite que ele apareça. Se continuarmos assim, vamos perder o que sempre nos diferenciou.
E trocar quem resolve… por quem apenas executa.