A nova pesquisa Quaest, divulgada nesta sexta-feira (14), traz um dado que merece atenção: Lula continua liderando o primeiro turno, mas a distância para Flávio Bolsonaro diminuiu. Lula aparece com 38%, contra 31% de Flávio. Na pesquisa anterior, eram 39% a 30%. A diferença caiu de 9 para 7 pontos, embora essa oscilação esteja dentro da margem de erro de 2 pontos percentuais.
Mais importante, porém, é o cenário de segundo turno. Lula aparece com 43% contra 40% de Flávio Bolsonaro. É empate técnico dentro da margem de erro. Na rodada anterior, Lula tinha 44% e Flávio, 39%. Ou seja: em poucos dias, a vantagem numérica de Lula caiu de cinco para três pontos.
E aqui está talvez o dado politicamente mais relevante da pesquisa: a eleição começa oficialmente no domingo e o segundo turno já aparece como uma disputa aberta. Não significa que Flávio esteja à frente, nem que Lula tenha perdido a liderança. Significa que, neste momento, nenhum dos dois pode ser considerado favorito com segurança no confronto direto.
O primeiro turno
Além de Lula e Flávio, a pesquisa mostra Ronaldo Caiado e Renan Santos com 4% cada, Romeu Zema com 2% e Augusto Cury com 2%. Brancos, nulos e eleitores que dizem não pretender votar somam 8%, enquanto 10% ainda estão indecisos.
Isso significa que existe ainda um contingente expressivo de eleitores a ser conquistado. E é justamente aí que começa a importância da campanha eleitoral.
Rejeição: outro sinal de alerta
Flávio Bolsonaro aparece com 54% de rejeição, enquanto Lula registra 52%. São índices muito elevados para os dois principais nomes da disputa.
Em outras palavras: a eleição não será apenas uma disputa para conquistar votos. Será também uma disputa para reduzir rejeições.
O governo Lula
A pesquisa também traz números importantes sobre a avaliação do governo.
48% desaprovam a administração Lula, contra 46% que aprovam. Na avaliação geral, 36% consideram o governo positivo, 37% negativo e 25% regular. Além disso, 53% dizem que o Brasil está caminhando na direção errada.
Esse talvez seja um dos pontos mais delicados para o presidente: Lula mantém uma base eleitoral muito forte, mas chega ao início oficial da campanha com avaliação de governo bastante dividida.
O Nordeste continua sendo decisivo
Lula mantém uma vantagem muito expressiva no Nordeste, onde chega a 57% das intenções de voto no primeiro turno, segundo a Quaest. É justamente nessa região que está uma das principais fortalezas eleitorais do presidente.
Mas há algo que merece ser observado com atenção: as eleições estaduais nordestinas que venho acompanhando apresentam, em vários estados, sinais de maior competitividade e de crescimento de candidaturas adversárias ao campo petista.
Se isso representa apenas movimentos estaduais isolados ou se começa a revelar uma mudança mais profunda no comportamento do eleitor nordestino, ainda é cedo para afirmar.
A sensação de mudança
Outro dado interessante: 56% dos entrevistados acreditam que Lula será reeleito, enquanto 27% apostam na vitória de Flávio Bolsonaro. A expectativa do eleitor, portanto, ainda favorece claramente Lula, mesmo diante de uma disputa mais apertada.
E aqui está a grande questão desta pesquisa:
Lula ainda lidera. Mas já não lidera com a mesma folga.
A diferença no primeiro turno diminuiu. O segundo turno entrou na zona de empate técnico. A rejeição dos dois é muito alta. A avaliação do governo está praticamente dividida. Mais da metade dos brasileiros acha que o país está no caminho errado. E 10% dos eleitores ainda não decidiram em quem votar.
Tudo isso às vésperas do início oficial da campanha.
Por isso, talvez a principal conclusão da nova Quaest não seja quem está na frente hoje.
É outra:
a eleição começou — e está muito mais aberta do que os números de algumas semanas atrás faziam parecer.
Agora começa a campanha de verdade. E, com ela, a disputa pelo eleitor que ainda não escolheu lado.
A pesquisa está registrada no TSE sob o protocolo BR 06773/2026 e foi contratada pela Globo.