A política precisa olhar para a frente
Há um vício persistente no debate político: a obsessão pelo ontem. Em vez de discutir o que o candidato pretende fazer, quais soluções apresenta e que futuro propõe, muitas vezes prefere-se transformar entrevistas, sabatinas e debates numa escavação permanente do passado.
O passado importa. Revela escolhas, coerências, contradições e ajuda o eleitor a conhecer quem pretende exercer o poder. Mas referência não deveria significar sentença definitiva.
Pessoas mudam. Erram, aprendem, amadurecem, reconsideram posições e podem corrigir caminhos. Cobrar explicações é legítimo; reduzir alguém eternamente a uma declaração, posição ou erro cometido anos atrás é outra coisa.
Uma sabatina cumpre melhor sua função quando confronta o passado com o presente e, principalmente, com o futuro: o que você pensa hoje? O que mudou? Por quê? E o que pretende fazer daqui para a frente?
Afinal, o eleitor não escolhe alguém para governar o ontem. Escolhe para governar o amanhã.
Talvez esteja aí uma boa regra para o debate político: o passado deve ser consultado, o presente deve ser examinado, mas é o futuro que precisa ser discutido.