
O Brasil continua convivendo com uma tragédia que não pode ser tratada como rotina. O 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostra que 40.775 pessoas foram vítimas de Mortes Violentas Intencionais (MVI) em 2025. É verdade que houve uma redução de 8,2% em relação a 2024. Mas 40 mil mortes violentas em apenas um ano continua sendo um número brutal e inaceitável.
E o retrato regional é ainda mais preocupante. O Nordeste permanece entre as áreas mais violentas do país, com destaque para Bahia e Ceará, que registram taxas de MVI de 36,8 e 34,7 mortes por 100 mil habitantes, respectivamente. O ranking dos municípios mais violentos também expõe a gravidade do problema: as dez cidades com as maiores taxas de MVI entre aquelas com mais de 100 mil habitantes estão no Nordeste.
No Rio Grande do Norte, a situação é especialmente preocupante. Enquanto o Brasil reduziu significativamente a violência letal, o Estado caminhou na direção contrária: as mortes violentas intencionais cresceram 19,6% em 2025, o maior aumento entre todas as unidades da Federação. O RN registrou 833 MVI, contra 697 no ano anterior.
É preciso dizer com todas as letras: não há normalidade possível diante de milhares de brasileiros assassinados todos os anos. A queda nacional é uma boa notícia, mas não pode servir de justificativa para acomodação. E, para estados que apresentam piora, como o Rio Grande do Norte, o alerta deveria ser ainda mais contundente.
Segurança pública não pode ser apenas promessa de campanha, discurso de ocasião ou estatística apresentada quando convém. É dever do Estado proteger a vida. Quando a população precisa conviver diariamente com o medo, quando famílias perdem seus filhos e quando determinadas regiões concentram índices alarmantes de violência, há uma falha que precisa ser enfrentada com políticas públicas, inteligência, prevenção, investigação, repressão qualificada e integração das forças de segurança.
O Brasil não pode se acostumar com a morte. Quarenta mil mortes violentas em um ano não são apenas um número. São 40 mil tragédias. E cada uma delas deveria cobrar uma resposta do poder público.