A política brasileira sempre foi um caso complicado. Mas, pelo andar da carruagem eleitoral, o eleitor resolveu mudar o tratamento.
Augusto Cury vem crescendo rapidamente nas pesquisas e já aparece como o nome que melhor encarna a chamada terceira via. É um movimento que merece atenção – e talvez alguma reflexão clínica.
Depois de anos de polarização, guerras políticas, crises institucionais, escândalos, brigas nas redes sociais e candidatos que parecem ter feito curso intensivo de ressentimento, uma parte do eleitorado aparentemente decidiu procurar uma alternativa.
E foi parar justamente em Cury.
Convenhamos: o Brasil tem senso de humor.
Não se está dizendo que o eleitor brasileiro esteja precisando de psiquiatra. Mas, diante de determinadas cenas da política nacional, é compreensível que alguém tenha pensado: “Talvez o problema seja outro.”
A candidatura de Cury começa a ganhar musculatura justamente quando cresce a sensação de que o país está preso a um divã eleitoral, repetindo os mesmos traumas, os mesmos personagens e as mesmas discussões mas esperando resultados diferentes.
A terceira via, que durante tanto tempo parecia uma espécie de paciente em estado terminal, pode estar descobrindo sinais de vida. E agora surge a pergunta inevitável: estaria o eleitor finalmente procurando uma saída ou apenas mudando de terapeuta?
O curioso é que, se Cury continuar subindo, a eleição de 2026 poderá produzir uma das ironias mais perfeitas da política brasileira: um país cansado de extremos procurando equilíbrio pelas mãos de alguém cujo sobrenome já parece vir com bula.
Resta saber se o eleitor quer mesmo uma terceira via ou se está apenas dizendo, em silêncio:
“Doutor, o problema é o Brasil.”
E talvez essa seja a primeira consulta realmente popular da eleição.
Pelas capas dos seus principais jornais, o Brasil não precisa apenas de um candidato; talvez esteja procurando alguém capaz de fazer a anamnese do país.


