
A adesão do deputado Ezequiel Ferreira, presidente da Assembleia Legislativa, à candidatura de Cadu de Lula (PT), anunciada oficialmente neste domingo (18), em suas redes sociais, surpreendeu exatamente zero pessoas. Absolutamente ninguém. Como já foi dito neste espaço, era uma daquelas novidades que todo mundo conhecia, mas que ainda aguardavam a autorização do próprio interessado para se tornarem oficiais.
Ezequiel, que costuma lembrar que “Ezequiel fala por Ezequiel”, finalmente falou. E confirmou o que os bastidores já anunciavam.
O roteiro político merece atenção. No primeiro turno, apoio ao candidato da direita, Álvaro Dias. Pelo caminho, duas piscadelas públicas para Allyson Bezerra, inclusive com presença em eventos de campanha. Agora, no segundo turno, adesão ao candidato da esquerda, Cadu de Lula.
Tudo isso lembra um exercício de ordem unida, daqueles praticados nos quartéis. Alguém dá o comando: “Direita, volver!” E o movimento acontece. Depois, uma nova ordem: “Esquerda, volver!” E lá se vai a tropa, disciplinadamente, na direção indicada.
A diferença é que, na política, nem sempre se conhece quem está dando as ordens. Muito menos o que determina a mudança de direção. No caso de Ezequiel, o suposto comando dessa marcha permanece um mistério. E, convenhamos, seria simplificar demais a questão atribuir toda essa movimentação exclusivamente à disputa pelo comando da Assembleia Legislativa.
É verdade que circulam nos bastidores informações sobre um possível acerto para assegurar a presidência da Casa à deputada Cristiane Dantas no próximo biênio e, posteriormente, o retorno do próprio Ezequiel ao cargo. A hipótese de um acordo político já foi levantada pela imprensa, embora seus termos não estejam publicamente comprovados.
Mas será que a explicação se resume a isso? Ou existem outros interesses, compromissos e conveniências nessa coreografia política?
Afinal, uma coisa é mudar de posição por convicção. Outra é fazer da mudança de posição uma especialidade. Ezequiel, experiente como poucos na política potiguar, certamente conhece a diferença.
Como disse o próprio Ezequiel no horário eleitoral: ‘Nesse você pode confiar’. Não é mesmo, Cadu?