
Hoje é o Dia Internacional da Paz. E quando se fala em paz, nosso pensamento naturalmente se volta para as guerras, para as bombas, para as mortes e para os conflitos que destroem países e famílias.
Mas hoje eu quero pedir paz também para o Brasil.
Não a paz dos campos de batalha, porque felizmente não vivemos uma guerra armada. Quero a paz de um país que precisa voltar a conviver consigo mesmo.
Há tempo demais o Brasil está submetido a uma guerra política permanente. Dois grandes campos se enfrentam como se não houvesse amanhã. E, no meio dessa disputa interminável, estão milhões de brasileiros que simplesmente querem trabalhar, criar seus filhos, pagar suas contas e viver suas vidas sem serem obrigados a participar dessa batalha todos os dias.
A política brasileira transformou o adversário em inimigo. O debate virou agressão. A divergência virou ofensa. A informação disputa espaço com a desinformação. Acusações, versões, meias-verdades e mentiras circulam numa velocidade assustadora. Instituições são arrastadas para o confronto, redes sociais funcionam como trincheiras e até relações familiares e amizades acabam contaminadas pela intolerância política.
E há algo ainda mais preocupante: recursos públicos e privados, estruturas de comunicação, máquinas partidárias, redes digitais e todos os instrumentos disponíveis são mobilizados nessa guerra pela conquista e manutenção do poder. De um lado e de outro, cada fato parece precisa ser transformado em munição o tempo inteiro.
Enquanto isso, os problemas reais continuam batendo à porta.
O brasileiro quer segurança. Quer emprego e renda. Quer saúde funcionando. Quer educação de qualidade. Quer impostos que caibam no bolso. Quer respeito ao dinheiro público. Quer instituições confiáveis. Quer justiça funcionando para todos. E, principalmente, quer poder discordar sem transformar o vizinho, o amigo ou o parente em inimigo.
Talvez uma das maiores mazelas desse ambiente seja justamente esta: o Brasil passou a discutir obsessivamente quem deve derrotar quem, quando deveria estar discutindo como derrotar seus problemas.
Não precisamos pensar igual. Democracia é exatamente o contrário disso. Precisamos recuperar a capacidade de divergir sem odiar, fiscalizar sem perseguir, criticar sem destruir e disputar eleições sem transformar o país num campo de batalha permanente.
Neste Dia Internacional da Paz, portanto, meu pedido é também pelo Brasil.
Que os políticos façam política. Que as instituições cumpram seu papel. Que as eleições sejam decididas pelo voto. E que deixem o brasileiro viver em paz.
Porque o Brasil já tem problemas demais para ainda carregar, todos os dias, uma guerra política que parece não ter hora para acabar.