… que uma ação apresentada por coligações lideradas pelo PT resultou numa decisão monocrática do TSE que suspendeu a campanha de Deltan Dallagnol ao Senado pelo Paraná. Deltan aparecia na liderança em pesquisas recentes, enquanto Gleisi Hoffmann, candidata do PT, estava atrás.
… que a democracia sofre mais um tombo quando uma decisão judicial suspende uma candidatura em plena campanha eleitoral. E questiona: onde termina a atuação do magistrado e onde começaria uma interferência de natureza política? E, no fim, quem deve controlar a eleição: a caneta ou o eleitor?
… que estão sendo somadas as atitudes e decisões que lançam dúvidas sobre a isonomia do processo eleitoral. Quando as regras existem justamente para assegurar igualdade de oportunidades entre as candidaturas, cada intervenção controversa aumenta a desconfiança. E eleição sem confiança pode até cumprir o calendário, mas carregará seus questionamentos até a urna. E depois do resultado.
… que esse aumento da pancadaria no horário eleitoral é uma tática velha, sobretudo nas campanhas que tentam reagir a posições desfavoráveis nas pesquisas. Quando falta espaço para convencer, sobra ataque ao adversário. Talvez alguns marqueteiros ainda acreditem que o eleitor não percebe a diferença entre estratégia eleitoral e desespero de campanha.
… que a campanha de Álvaro Dias parece ter perdido o passo e ainda não encontrou, até aqui, o impulso necessário para crescer, enquanto a disputa pela segunda posição aperta. E numa disputa apertada, campanha que não empolga corre um risco perigoso: assistir ao segundo turno de longe.
… que talvez só os candidatos ainda não tenham percebido que a pancadaria eleitoral não garante voto. Flávio Bolsonaro cresceu em meio à intensificação dos ataques, enquanto Allyson Bezerra, alvo constante dos adversários no RN, também avançou nas pesquisas. A rua desconfia que, de tanto bater no adversário, algumas campanhas acabam fazendo propaganda para ele.
… que há uma velha lição na comunicação: quando um político grita na televisão faz o telespectador sentir que está gritando com ele. Se a mensagem ainda é agressiva, repetitiva e pouco interessante, começa a nascer naquele momento um sentimento de incômodo e rejeição a esse político. Na política, falar mais alto não significa convencer mais.
… que quem destila ódio na televisão pode até chamar atenção, mas dificilmente conquista simpatia. A agressividade repetida cansa, incomoda e pode acabar produzindo rejeição. Na política, quem transforma a tela em palanque de raiva corre o risco de afastar justamente quem pretendia convencer.
… que tem candidato tão mal-humorado que talvez as urnas lhe deem ainda mais motivos para fechar a cara. Grosseria, arrogância e destempero podem fazer barulho, mas não conquistam simpatia. Eleitor sabido não costuma premiar nas urnas quem parece estar brigando até com quem pretende convencer.
… que, na reta final da campanha, a ruindade começa a ecoar pelos quatro cantos. É quando agressões, baixarias e ataques tentam ocupar o lugar das propostas. A rua recomenda atenção: é hora de observar comportamentos, conferir os fatos e conhecer melhor quem pede o voto. A urna não é lugar para escolha no impulso.
… que Lula voltou a trocar Janja por Marisa. Em Guarulhos, chamou a atual mulher pelo nome da ex-esposa duas vezes no mesmo discurso. E já é pelo menos a terceira confusão desse tipo registrada publicamente neste ano. Gafe acontece. Mas, quando se repete, chama atenção e vira assunto. E a pergunta já está na rua: Lula, o que é isso, companheiro?