No segundo tempo, a Suíça dominava a partida quando perdeu uma de suas principais referências no ataque. Embolo recebeu o segundo cartão amarelo por simulação e acabou expulso. Um lance que reacende um debate antigo: até que ponto o teatro ainda faz parte do futebol?
A simulação é a tentativa deliberada de enganar a arbitragem. O jogador exagera ou inventa um contato para provocar uma marcação inexistente, normalmente um pênalti, uma falta perigosa ou um cartão para o adversário. As Regras do Jogo tratam essa conduta como comportamento antidesportivo, punido com cartão amarelo. Se o atleta já estiver advertido, a consequência é inevitável: expulsão.
O caso de Embolo mostra que, quando a arbitragem decide combater esse tipo de atitude, o impacto pode ser enorme. A Suíça perdeu um jogador justamente no momento em que tinha o controle da partida.
Agora, imagine se essa postura se tornasse regra em todos os campeonatos. Já pensou se a moda pega no Brasil ou na Argentina? O futebol sul-americano, famoso pela técnica, pela raça e também por uma boa dose de “catimba”, teria uma verdadeira revolução. Muitos jogadores passariam mais tempo preocupados em permanecer em campo do que em convencer o árbitro de faltas que nunca existiram.
Talvez alguns dos maiores “atores” do futebol mundial descobrissem que o melhor roteiro continua sendo o bom futebol. O espetáculo agradeceria. Menos teatro, mais bola rolando. Menos encenação, mais talento. Afinal, quem compra ingresso ou liga a televisão quer ver gols, dribles e grandes jogadas — não uma disputa pelo prêmio de melhor interpretação.
Se a punição à simulação passar a ser aplicada com rigor e coerência, o futebol tende a ganhar em credibilidade, justiça e emoção. E isso é uma vitória para todos: jogadores, árbitros e, principalmente, para o torcedor.