Chega de antijogo: em defesa do futebol.
O que se viu nos últimos dias nos gramados sul-americanos passa longe daquilo que se entende como futebol. Na terça-feira, o confronto entre Boca Juniors e Cruzeiro se transformou em uma verdadeira batalha campal, marcada por pontapés, provocações, cera e simulações constantes. Um espetáculo lamentável, em nada compatível com a grandeza do esporte.
Na noite seguinte, foi a vez do Flamengo enfrentar um adversário tecnicamente mais qualificado, é verdade, mas igualmente disposto a recorrer ao antijogo. A agressividade excessiva, as interrupções forçadas e a tentativa clara de controlar o ritmo na base da deslealdade prejudicaram o espetáculo. O empate, dentro de campo, acaba sendo um detalhe diante do prejuízo maior: a saída de Arrascaeta, principal jogador rubro-negro, lesionado após mais um jogo de contato desmedido.
Não se trata de rivalidade ou de estilo competitivo. Trata-se de um padrão recorrente que compromete a essência do futebol. O que está sendo praticado em muitos jogos sul-americanos é um pseudo futebol, sustentado por artifícios que desvalorizam o talento, a técnica e o espetáculo.
É urgente que haja uma reação institucional. A CBF precisa assumir um papel de liderança no continente, articulando com outras federações e entidades medidas concretas para proteger o jogo. O futebol sul-americano não pode se afastar cada vez mais do que há de melhor no mundo, onde competições de alto nível mostram que intensidade e lealdade caminham juntas.
O torcedor merece mais. O futebol merece mais. E esse movimento precisa começar agora.