
Eleição tem uma característica que os chamados “experts da hora” parecem esquecer: sabe-se como começa, acompanha-se como evolui, mas ninguém sabe exatamente como termina. O processo eleitoral é dinâmico e pode sofrer alterações ao longo do caminho por fatos novos, debates, alianças, decisões judiciais, campanhas, propaganda, acontecimentos inesperados e, principalmente, pelo comportamento do eleitor.
Há quem transforme cada pesquisa em sentença, cada percentual em tendência definitiva e cada movimento de alguns pontos em diagnóstico incontestável. Mas pesquisa eleitoral é retrato de um determinado momento, feito a partir de metodologia, amostra e período específicos. Não substitui a urna e tampouco elimina a possibilidade de mudanças até o dia da votação.
E é justamente aí que entram os especialistas de ocasião. Com poucas semanas de campanha, alguns já se arriscam a desenhar o resultado final, como se o eleitorado fosse um bloco imóvel e a eleição obedecesse a uma equação previsível. Não é. O eleitor pode mudar de opinião, novos fatos podem alterar o debate e acontecimentos que hoje sequer estão no radar podem ganhar enorme peso amanhã.
Perguntar não ofende: se eleição fosse tão simples, direta e previsível como algumas análises fazem parecer, para que serviria o dia da votação?
No fim das contas, entre a primeira pesquisa e a apuração dos votos existe um elemento que nenhum “expert da hora” consegue controlar: o eleitor diante da urna.