A entrevista concedida por Dom João Santos Cardoso, arcebispo metropolitano de Natal, à Tribuna do Norte, traz uma reflexão especialmente pertinente neste período eleitoral. A frase escolhida para a manchete resume boa parte da mensagem: “Não entregue sua consciência a ideologias.”
A advertência vai além da relação entre Igreja e eleições. Dom João chama atenção para a necessidade de discernimento, para os perigos da desinformação e, sobretudo, para a tentativa de instrumentalizar a religião em benefício de interesses político-partidários.
Não se trata de defender que a Igreja permaneça indiferente aos grandes temas da sociedade. Pelo contrário. Valores, princípios, dignidade humana e preocupação com o bem comum fazem parte de sua atuação. A fronteira aparece quando a fé passa a ser utilizada como instrumento para conduzir o eleitor em direção a determinado partido, candidato ou corrente ideológica.
É uma distinção importante: uma coisa é a Igreja defender valores; outra é transformar o púlpito em palanque.
No centro da mensagem de Dom João está a liberdade de consciência. O eleitor pode carregar suas convicções religiosas para a vida pública. Mas sua decisão política exige reflexão, informação e responsabilidade pessoal. A fé pode ajudar a iluminar a consciência; não deve substituí-la.
Num ambiente eleitoral marcado pela polarização, pela desinformação e pela tentativa frequente de apropriação política da religião, a advertência do arcebispo ganha ainda mais significado.
A consciência pertence ao cidadão. Não ao partido, não ao candidato e muito menos à ideologia.
