
O senador Flávio Bolsonaro passou por um dos testes mais importantes de sua campanha presidencial nesta sexta-feira (16). Na entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, o candidato do PL enfrentou questionamentos sobre temas delicados, manteve sua estratégia de comunicação e conseguiu explorar o desgaste do governo Lula, embora tenha deixado questões importantes sem respostas definitivas.
Diferentemente da entrevista de Lula, na quinta-feira, quando assuntos como o caso Lulinha e o escândalo do INSS não foram abordados, Renata Lo Prete adotou uma postura mais incisiva com Flávio, cobrando explicações sobre os atos de 8 de janeiro, o financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro por Daniel Vorcaro e as críticas ao Supremo Tribunal Federal.
No campo econômico, Flávio prometeu preservar a valorização real do salário mínimo, os pisos da saúde e da educação e os direitos previdenciários. Garantiu que não reverterá o fim da escala 6×1 e anunciou a intenção de cortar dez ministérios. Entretanto, não explicou como a entrevistadora gostaria e ela insistiu, em como ele pretende realizar um ajuste fiscal de R$ 250 bilhões sem comprometer essas garantias.
O senador também descartou Eduardo Bolsonaro como eventual ministro das Relações Exteriores, afirmou que não está em seus planos oferecer cargo ao pai e prometeu não disputar a reeleição.
Politicamente, Flávio mostrou habilidade para sair da defensiva e transformar perguntas desconfortáveis em ataques ao adversário. Explorou a rejeição ao PT, a insegurança pública, o desgaste do STF e o sentimento de mudança. Sua estratégia foi clara: fazer da insatisfação com Lula o principal argumento de sua candidatura.
COMENTÁRIO DO BLOG
Flávio não teve uma entrevista fácil, mas também não sofreu um tropeço capaz de comprometer sua campanha. Demonstrou desenvoltura no confronto político, domínio das questões nacionais, embora ainda precise dar maior consistência às suas propostas e esclarecer melhor algumas questões.
E pronto! Foi só elogiar a atuação de Renata Lo Prete na entrevista de ontem com Lula para a jornalista aparecer hoje com outra postura, bem mais incisiva. Coincidência ou não, isso aconteceu justamente depois das ácidas críticas feitas pelo presidente à TV Globo, nesta sexta-feira, em Minas Gerais.
Não há elementos para afirmar que uma coisa tenha provocado a outra. Mas a diferença no rigor dos questionamentos merece registro. Afinal, o jornalismo não precisa tratar candidatos com complacência, mas deve cobrar de todos com o mesmo rigor.