
Há algo particularmente preocupante no ambiente político desta campanha: a arrogância transformada em método de atuação.
É a postura de quem não aceita ser contrariado, não tolera questionamentos e parece considerar qualquer discordância uma afronta pessoal. O adversário político é tratado como inimigo. O cidadão que não apoia é visto com desdém. E o jornalista que faz uma pergunta dura, em vez de receber uma resposta, muitas vezes recebe uma reação agressiva.
É a política sem humildade.
Alguns políticos parecem acreditar que ocupar um cargo, liderar uma pesquisa ou reunir uma multidão lhes confere uma espécie de salvo-conduto contra críticas. Como se a posição que ocupam os colocasse acima do contraditório.
Não coloca.
O poder não confere razão automática. O mandato não produz infalibilidade. E popularidade não é licença para desrespeitar ninguém.
Aliás, existe um teste muito simples para medir o tamanho de um político: observe como ele trata quem não pode lhe dar nada em troca. Observe como responde ao adversário. Como trata um cidadão crítico. Como reage a um jornalista que insiste numa pergunta incômoda.
É aí que aparece o verdadeiro caráter político.
Porque é muito fácil ser gentil com quem aplaude. Difícil é manter a educação diante de quem questiona. É fácil abraçar aliados. Difícil é respeitar adversários. É fácil falar em democracia no palanque. Difícil é praticá-la diante de uma pergunta que desagrada.
A falta de humildade costuma caminhar de mãos dadas com a egolatria. O político começa falando de suas realizações e, pouco a pouco, passa a acreditar que ele próprio é a realização. O “eu fiz” transforma-se em “só eu faço”. Depois, o “só eu faço” termina no “só eu posso fazer”.
É assim que o ego vai ocupando o espaço que deveria pertencer às ideias.
E há algo ainda mais perigoso: quando o político passa a confundir crítica com ataque, discordância com traição e jornalismo com perseguição. Nesse ambiente, o contraditório deixa de ser parte da democracia e passa a ser tratado como inimigo a ser combatido.
Humildade não é fraqueza. É inteligência política.
Quem sabe que pode errar não teme perguntas. Quem tem argumentos não precisa gritar. Quem tem realizações não precisa humilhar adversários para valorizá-las. E quem realmente acredita na democracia sabe que ninguém é obrigado a concordar com ele.
No fim das contas, talvez a maior prova de grandeza de um político não esteja na maneira como ele recebe os aplausos.
Esteja na maneira como reage às críticas.
Porque o aplauso alimenta o ego.
Mas é o contraditório que testa o caráter.