A suprema vergonha

A sessão de hoje do Supremo foi uma aula. Uma verdadeira aula sobre a qualidade das relações entre alguns de seus integrantes, sobre educação, cortesia, serenidade, respeito aos colegas e, sobretudo, sobre o ambiente institucional que atualmente reina na mais alta Corte do país.
Teve de tudo: elevação de voz, acusações, interrupções, ministros questionando procedimentos e colegas confrontando colegas. O presidente Edson Fachin precisou lembrar ao plenário que divergência é legítima, mas confronto pessoal não. Quando o óbvio precisa ser lembrado aos integrantes do Supremo, alguma coisa já saiu do lugar.
E talvez esteja aí o aspecto mais impressionante da sessão: ninguém precisou fazer oposição ao STF, atacar o Supremo ou construir qualquer narrativa contra a instituição. Os próprios ministros se encarregaram de expor, diante das câmeras, a dimensão das divergências existentes dentro da Corte.
O espetáculo foi tão completo que qualquer comentário externo se tornou quase desnecessário. Bastou assistir.
Uma Corte Suprema não precisa ter ministros que concordem entre si. Muito pelo contrário. Precisa do contraditório. Mas espera-se que divergências jurídicas sejam enfrentadas com argumentos, serenidade e respeito institucional – especialmente quando está em jogo a credibilidade do próprio tribunal.
Hoje, o STF ficou diante do espelho.
E a imagem refletida não foi bonita.
Vergonha alheia? Não. Depois do que se viu, foi vergonha em rede nacional.