As notinhas do blog nesta segunda-feira
“A DIFERENÇA ENTRE A EMPRESA PRIVADA E A EMPRESA PÍBLICA É QUE AQUELA É CONTROLADA PELO GOVERNO E ESTA POR NINGUÉM. ROBERTO CAMPOS
O Reino Unido corre o risco de deixar de ser unido
Sim. Hoje, 14 de setembro de 2026, ocorreu um movimento político bastante significativo: líderes nacionalistas da Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte reuniram-se em Cardiff e assinaram um acordo de cooperação em defesa do direito à autodeterminação e de mudanças constitucionais que podem levar à dissolução da atual configuração do Reino Unido.
Há, porém, uma diferença importante entre os três casos. John Swinney, da Escócia, defende um novo referendo para que os escoceses decidam sobre a independência; seu governo afirma explicitamente que continuará defendendo o direito da Escócia de decidir seu futuro.
No País de Gales, Rhun ap Iorwerth, líder do Plaid Cymru e primeiro-ministro galês, também defende a autodeterminação e a possibilidade de independência. O movimento galês, entretanto, parte de uma situação política diferente, pois historicamente o apoio popular à separação é menor do que na Escócia.
Na Irlanda do Norte, a questão é diferente: Michelle O’Neill, do Sinn Féin, não busca propriamente uma Irlanda do Norte independente. O objetivo é sair do Reino Unido e reunificar-se com a República da Irlanda, formando uma Irlanda unificada. O Acordo da Sexta-Feira Santa prevê a possibilidade de um referendo sobre essa reunificação quando houver perspectiva de maioria favorável.
O aspecto mais relevante da reunião de hoje é que os três movimentos decidiram atuar de maneira coordenada, pressionando Londres para reconhecer que Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte têm o direito de decidir democraticamente seus futuros constitucionais. O governo britânico, por sua vez, continua resistindo à realização de novos referendos.
Isso rende uma nota política muito interessante, porque coloca em discussão algo maior: o risco real de fragmentação do Reino Unido.
Mais do que uma articulação política circunstancial, o movimento expõe uma questão que Londres terá cada vez mais dificuldade de ignorar: a própria integridade territorial do Reino Unido. Escócia discutindo independência, nacionalistas galeses defendendo a autodeterminação e o Sinn Féin avançando com o projeto de reunificação da Irlanda formam três frentes distintas, mas com um ponto em comum — todas questionam a permanência sob a atual estrutura britânica.
Ainda não se pode falar em desintegração iminente. Mas o risco de fragmentação deixou de ser apenas uma hipótese distante. Se esses movimentos ampliarem seu apoio popular e transformarem a autodeterminação em maioria eleitoral, Londres poderá enfrentar uma crise constitucional de enormes proporções. O Reino Unido continuará unido enquanto houver vontade política para permanecer unido. E é justamente essa vontade que começa a ser colocada à prova.
Brasil da carestia: e o Governo faz o quê?
Brasil da carestia: e o Governo faz o quê?
O Brasil virou o país da carestia. E talvez a maneira mais simples de entender isso seja olhar para uma nota de R$ 100. Ela ainda traz o número 100 impresso, mas, na vida real, parece valer cada vez menos.
R$ 100 são os novos R$ 20, se muito.
Entre num supermercado e descubra. Vá ao açougue. Sente num restaurante. Peça alguma coisa num bar. Abasteça o carro. O dinheiro simplesmente evapora.
Uma pizza custa R$ 70, R$ 80 ou mais. Uma Coca-Cola passa dos R$ 8. Um almoço para duas pessoas facilmente atravessa a barreira dos R$ 100. Em Natal, a gasolina comum chegou a R$ 6,99 o litro. Cinquenta litros? R$ 349,50. É quase inacreditável quando se coloca a conta no papel.
E o que dizer de R$ 1?
Praticamente nada. A menor unidade inteira da nossa moeda foi reduzida à irrelevância. Um real não compra um cafezinho, um pão puro, muito menos com alguma coisa, uma garrafa de água ou quase qualquer produto vendido individualmente. O real existe no nome da moeda, mas R$ 1 praticamente desapareceu como poder de compra. A cédula já não se vê faz tempo.
Essa é a discussão que precisa ser feita. O problema não está apenas na inflação divulgada mensalmente. Está na desmoralização cotidiana do dinheiro diante dos preços.
O trabalhador recebe o salário e começa uma corrida contra o desaparecimento do próprio dinheiro. Supermercado, combustível, energia, medicamentos, aluguel, condomínio, escola, restaurante, serviços. Tudo morde um pedaço. E morde cada vez maior.
E ainda tem os impostos gigantescos cobrados neste País.
Pode o governo comemorar índice. Pode economista explicar média, núcleo, acumulado, projeção e meta. O brasileiro faz uma conta muito mais simples: quanto dinheiro entrou e quanto consegue comprar com ele.
E essa conta é devastadora.
O país chegou ao absurdo de transformar R$ 10 em troco, R$ 50 em pouca coisa e R$ 100 numa nota que desaparece numa compra banal.
Isso tem nome: perda de poder de compra.
E tem endereço: supermercado, açougue, padaria, farmácia, restaurante, bar e posto de gasolina.
Não adianta tentar convencer o cidadão de que a situação está sob controle quando a realidade passa no caixa.
No Brasil da carestia, o preço sobe, o dinheiro encolhe e o salário assiste de longe.
O real não precisa apenas valer diante do dólar. Precisa valer na mão do brasileiro. E é exatamente aí que ele está perdendo a batalha.
Só o perdão liberta
“O perdão é indispensável e, se faltar, não se pode viver em paz.” A afirmação é do Papa Leão XIV, durante o Angelus deste domingo, ao lembrar que a ausência do perdão alimenta conflitos, acusações, rancores e vinganças capazes de destruir relações, dividir famílias e até desencadear guerras.
O Papa resumiu sua mensagem em outra frase de enorme força: “Só o perdão liberta e traz de volta a luz.”
Uma reflexão simples, mas necessária para os tempos atuais. Perdoar não significa esquecer ou aceitar a injustiça. Significa não permitir que o ressentimento se transforme em prisão. Sem perdão, dificilmente haverá reconciliação; e sem reconciliação, a paz será sempre uma promessa distante.
Nikolas leva protesto à terra de Alcolumbre
Como havia anunciado no ato de 7 de Setembro, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) foi neste domingo a Macapá e participou de uma manifestação contra o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), em pleno reduto eleitoral do senador.
O protesto, realizado na Curva do Araxá, teve como principal cobrança o andamento dos pedidos de impeachment apresentados contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF. Nikolas havia anunciado a mobilização justamente como uma forma de levar a pressão política para a base de Alcolumbre, que até agora não sinalizou disposição de colocar os pedidos em votação.
A manifestação dá continuidade à pressão de setores da oposição sobre o presidente do Senado. Desta vez, porém, a cobrança saiu de Brasília e chegou diretamente ao Amapá, transformando Macapá em palco da disputa política em torno da atuação de Alcolumbre na condução dos pedidos contra o ministro do Supremo.
Já tem ministra da saúde e ministra do STF
O candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) resolveu antecipar algumas escolhas para um eventual governo. Neste domingo, afirmou que pretende entregar o Ministério da Saúde à cardiologista Ludhmila Hajjar, a quem atribuiu a missão de promover uma transformação no SUS. Caiado também já anunciou a ex-procuradora-geral da República Raquel Dodge como sua escolha para uma vaga no Supremo Tribunal Federal, caso seja eleito.
Mudaram mesmo os tempos: chama atenção a antecipação das escolhas em plena campanha, anteriormente, primeiro o candidato ganhava a eleição. Depois anunciava os ministros.
Rock in Rio em 2028
O Rock in Rio já confirmou seu próximo encontro com o público: será em setembro de 2028, novamente na Cidade do Rock, no Rio de Janeiro. Mantém-se, assim, o intervalo de dois anos entre as edições brasileiras do festival.
E a próxima edição chega com novidade. A organização anunciou a Rock in Run, corrida que pretende unir esporte, música e entretenimento e terá como grande atração a chegada dos participantes à Cidade do Rock. A proposta é ampliar ainda mais a experiência em torno de uma das maiores marcas de festivais de música do mundo.
Antes disso, em 2027, será a vez do The Town, em São Paulo. Depois, os holofotes retornam ao Rio, com música, grandes atrações e, agora, também gente correndo para chegar ao Rock in Rio.
Nike – um tombo de US$ 224 bilhões
Uma das marcas mais poderosas do planeta vive uma queda impressionante. A Nike perdeu cerca de US$ 224 bilhões em valor de mercado desde seu auge em 2021 e deixará, em 21 de setembro, o S&P 100, índice que reúne cem das grandes companhias americanas. A empresa fazia parte do grupo havia quase 18 anos.
O tamanho da queda chama atenção: a Nike chegou a valer cerca de US$ 281 bilhões e hoje está avaliada em aproximadamente US$ 57 bilhões. Suas ações acumulam forte desvalorização, pressionadas por problemas na estratégia de vendas diretas, perda de espaço no varejo, menor ritmo de inovação e avanço de concorrentes, além das dificuldades no mercado chinês.
A saída do S&P 100 não significa, porém, que a Nike esteja deixando a Bolsa ou o S&P 500, onde continuará listada. Mas o episódio carrega um forte simbolismo para uma empresa que se tornou sinônimo mundial de esporte, marketing e construção de marca.
Uma lembrança valiosa para o mundo dos negócios: nem mesmo uma marca gigante pode viver apenas da força do próprio passado.
Pílulas
- O alemão Alexander Zverev conquistou neste domingo o título masculino do US Open 2026. Na decisão, em Nova York, ele derrotou o norte-americano Ben Shelton por 3 sets a 1, com parciais de 6/3, 7/6, 5/7 e 6/2.
- A conquista coroa uma temporada extraordinária de Zverev, que também venceu Roland Garros neste ano. É o primeiro título do alemão no US Open e o segundo Grand Slam de sua carreira. Aos 29 anos, Zverev finalmente transforma em grandes títulos a regularidade que há anos o mantém entre os principais nomes do tênis mundial.
- Tolerância zero nos aviões — Entram em vigor nesta segunda-feira (14) as novas regras da Anac para punir passageiros indisciplinados em voos domésticos. A depender da gravidade da conduta, além de multa de R$ 17,5 mil, o passageiro poderá ficar até 12 meses impedido de embarcar. Nos casos mais graves, o nome será compartilhado entre as companhias aéreas para que a restrição seja efetivamente cumprida.
- Renato Gaúcho está de volta ao Grêmio. O clube acertou neste domingo (13) o retorno de um dos maiores ídolos de sua história para substituir o português Luís Castro, demitido após a derrota de virada para o Vasco, em plena Arena. O acordo inicial vai até o fim da temporada.
- Os motoristas poderão ganhar um período de tolerância nos estacionamentos rotativos pagos em todo o país, conhecidos em muitas cidades como Zona Azul. A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou o PL 4.884/2019, que prevê gratuidade para veículos que permanecerem por até 15 minutos nessas vagas.
- Pela proposta, as prefeituras deverão informar a gratuidade nas placas de sinalização e também nos aplicativos utilizados para cobrança do estacionamento. O texto altera o Código de Trânsito Brasileiro e busca estabelecer uma regra nacional para as paradas de curta duração. O texto vai ao Senado.
- O italiano Kimi Antonelli, da Mercedes, venceu neste domingo o GP da Espanha de Fórmula 1, disputado pela primeira vez no novo circuito de Madring, em Madri. Max Verstappen, da Red Bull, terminou em segundo, e Lando Norris, da McLaren, completou o pódio.
- O resultado deixa o jovem italiano ainda mais confortável na liderança do Mundial: são 292 pontos, 81 de vantagem sobre o companheiro de Mercedes George Russell. O brasileiro Gabriel Bortoleto, da Audi, terminou em 13º e não pontuou. A F1 segue para o GP do Azerbaijão, em Baku, no dia 26 de setembro.
- A 27ª rodada do Campeonato Brasileiro movimentou o fim de semana e voltou a trocar o dono da liderança. No Maracanã, o Flamengo venceu o Corinthians por 2 a 1, com gol de Bruno Henrique no fim, chegou aos 57 pontos e retomou a ponta, um ponto à frente do Palmeiras.
- No sábado, o Palmeiras venceu o São Paulo por 2 a 0, o Vasco bateu o Grêmio por 2 a 1 em Porto Alegre, o Santos derrotou o Cruzeiro por 2 a 1, o Atlético-MG fez 3 a 1 no Fluminense, o Internacional venceu a Chapecoense por 2 a 1 e Botafogo e Bragantino ficaram no 1 a 1. No domingo, Mirassol e Vitória empataram por 2 a 2.
- A rodada ainda não terminou: Bahia e Remo jogam nesta segunda-feira (14), às 20h, na Arena Fonte Nova.
- Natal dá um GO! no futuro. Nos dias 18 e 19 de setembro, Natal se transforma em um dos grandes pontos de encontro da inovação brasileira. O GO!RN 2026, promovido pelo Sebrae-RN e correalizado por mais de 40 instituições, espera reunir mais de 15 mil pessoas no Centro de Convenções de Natal. Serão 250 atividades, 14 palcos e 13 eixos temáticos, com participantes de 21 estados brasileiros.
- Pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (12) mostra que 76% dos brasileiros consideram que os ministros do STF têm poder excessivo. Apenas 18% discordam, enquanto 3% não concordam nem discordam e 4% não souberam responder.
- O Datafolha ouviu 2.002 eleitores em 125 cidades, entre os dias 8 e 10 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com 95% de confiança. Encomendada pela Folha de S.Paulo e TV Globo, a pesquisa está registrada no TSE sob o número BR-01833/2026.
- “Essa campanha presidencial não revela apenas quem quer o poder. Revela até onde o ser humano é capaz de descer para conquistá-lo.”