Festa do Boi: entre currais, votos, milhões e traições

A Festa do Boi vai muito além dos bois, cavalos, bodes e negócios. Nos corredores, nas rodas de conversa, nos estábulos e até no espaço da Assembleia Legislativa, a política ocupa espaço de destaque. E o que se ouve por lá, se tiver algum fundamento, merece uma lupa do Ministério Público Eleitoral.
Entre análises de resultados, votações surpreendentes, compromissos supostamente rompidos e cifras milionárias, circulam histórias que dariam um verdadeiro enredo policial.
Uma delas envolve um emérito investidor que, segundo comentários, teria desembolsado inacreditáveis R$ 15 milhões para garantir um mandato de deputado estadual. Outra aponta para um personagem do Mato Grande que, na quinta-feira anterior à eleição, teria exigido R$ 300 mil de um suposto parceiro político. São relatos graves, ainda sem comprovação, mas que, pela natureza das suspeitas, mereceriam apuração.
Nos verdes canaviais, as conversas também são sobre traições eleitorais. Um suposto troca-troca de votos teria beneficiado quatro candidatos e prejudicado justamente o principal interessado, cuja votação ficou abaixo das expectativas. Uma engenharia eleitoral que, segundo as versões contadas na Festa do Boi, surpreendeu boa parte do meio político.
E teve também o segundo turno. Nas conversas, surgiu a expectativa sobre o posicionamento do presidente. A orientação comentada foi de cautela diante do cenário das pesquisas. Afinal, ainda falta uma semana para a eleição, tempo suficiente para uma manifestação pública, clara e transparente.
No fim das contas, entre um curral e outro, a Festa do Boi confirma sua tradição de ponto de encontro da política potiguar. Mas, diante de tantas histórias envolvendo votos, dinheiro e acordos, fica uma pergunta: quanto há de verdade no que se conta e quanto precisa ser investigado?
Porque, se uma pequena parte dessas conversas tiver fundamento, o assunto já não será apenas de curral.
Né, não?