Virada que o Brasil nunca viu

A história eleitoral brasileira registra um dado relevante para o segundo turno de 2026: desde a redemocratização, nunca houve uma virada numa eleição presidencial. Em todas as disputas que chegaram à segunda rodada, o candidato mais votado no primeiro turno terminou eleito presidente.
A sequência começou em 1989, quando Fernando Collor chegou à frente de Lula e confirmou a vitória no segundo turno. Repetiu-se com Lula em 2002 e 2006, Dilma Rousseff em 2010 e 2014, Jair Bolsonaro em 2018 e Lula em 2022. Em 1994 e 1998 não houve segundo turno: Fernando Henrique Cardoso venceu diretamente na primeira votação.
Agora, em 2026, o dado ganha atenção especial. Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno na liderança, com 47,03% dos votos válidos (56,1 milhões), contra 45,16% (53,9 milhões) de Lula, segundo o TSE. A diferença foi de aproximadamente 2,23 milhões de votos.
Mas história não é regra eleitoral nem previsão de resultado. O segundo turno é juridicamente uma nova eleição: os votos do primeiro não são transferidos ou computados na segunda votação. Vence quem obtiver a maioria dos votos válidos. Portanto, o retrospecto mostra uma regularidade de sete eleições presidenciais decididas em segundo turno. não uma impossibilidade de virada.
Até hoje, quem largou na frente chegou na frente. Em 2026, saberemos se a escrita será mantida ou se o Brasil terá a primeira virada presidencial de sua história sob o sistema de dois turnos.