O adversário mais difícil da Seleção está no sofá
Existe um torcedor muito curioso no Brasil. Ele é brasileiro… mas só quando o Brasil perde.
No dia do jogo da Seleção, ele veste a camisa da crítica.
Se o Brasil faz um gol, ele resmunga:
– Foi sem querer.
Se faz dois:
– Quero ver contra um time de verdade.
Se faz três:
– Esse adversário é muito fraco.
Mas basta levar um gol para ele levantar do sofá gritando:
– Eu sabia!
É o único torcedor que comemora impedimento do próprio ataque, vibra com defesa do goleiro adversário e, quando o juiz marca pênalti para o Brasil, já começa a torcer pelo VAR.
Se a Seleção é campeã, ele diz que foi sorte.
Se perde, passa a semana distribuindo eu avisei como se fosse troféu.
Na Copa do Mundo, então, é um espetáculo à parte. Enquanto milhões de brasileiros sofrem, gritam e acreditam até o último minuto, ele está mais preocupado em preparar o post das redes sociais explicando por que a eliminação era inevitável.
É um fenômeno difícil de entender. O sujeito mora no Brasil, nasceu no Brasil, come feijão com arroz , reclama do calor, ama um feriado, mas, quando a bola rola, parece que tirou cidadania da seleção adversária.
Torcer faz parte. Criticar também.
Agora, torcer para o Brasil perder só para poder dizer eu tinha razão, isso não é espírito esportivo. É só a estranha habilidade de transformar a própria derrota em motivo de comemoração.
E o pior é que, quando o Brasil vence, esse torcedor fica sem saber se lamenta a vitória ou procura algum defeito no placar.
No fim das contas, parece que o maior adversário da Seleção não é a Argentina, nem a França, nem a Alemanha.
É aquele brasileiro que assiste ao jogo com a esperança secreta de terminar dizendo:
“Eu não falei?”