Etiqueta de palanque: O “fica na sua” da Casa Civil
Se a política é a arte de engolir sapos, a deputada estadual Isolda Dantas (PT) teve que digerir um anfíbio inteiro, direto do palanque e com direito a plateia. Quem assistiu aos bastidores da última agenda presidencial testemunhou um clássico exemplo de “gestão de espaço”, para usar um eufemismo bem generoso, no evento de inauguração do túnel Major Sales, em Luís Gomes, no alto oeste potiguar.
Enquanto Isolda iniciou uma interlocução direta com o presidente Lula, a chefe da Casa Civil, Miriam Belchior, resolveu acionar o protocolo do distanciamento social político. Sem qualquer cerimônia ou os melindres da velha diplomacia, Miriam convocou a primeira-dama e, num passe de mágica (e de braço), sutilmente escanteou a deputada para longe do chefe do Executivo.

Se Isolda não sofresse de uma crônica e devota antropolatria – aquela adoração quase religiosa às figuras de poder que cega até o amor-próprio -, o episódio teria rendido uma nota pública de repúdio ou, no mínimo, um belo carão de volta. Afinal, ser tratada como intrusa no próprio cercado não é fácil para ninguém.
Mas na corte de Brasília e seus puxadinhos estaduais, parece que o bom mocismo e a reverência cega ao topo da pirâmide valem mais do que a dignidade do mandato. Isolda não sorriu, não gostou e só olhou. Miriam limpou o campo. E o palanque seguiu, mostrando que, nos bastidores do poder, o carinho é cênico, mas o cotovelo é bem real.