BR-101 em Igarassu: a fábrica de congestionamentos patrocinada pelo poder público.
É revoltante constatar que, em uma das mais importantes rodovias do Brasil, o poder público continue impondo medidas que, na prática, transformam a mobilidade em um verdadeiro suplício para a população.
Os radares e lombadas eletrônicas de 40 km/h instalados na BR-101, em Igarassu, são hoje um monumento à irracionalidade administrativa. Em vez de resolver problemas, criam outros ainda maiores. Em vez de garantir fluidez e segurança, produzem congestionamentos gigantescos, prejuízos econômicos e uma interminável perda de tempo para milhares de cidadãos.
Na última sexta-feira, motoristas levaram aproximadamente uma hora para percorrer um pequeno trecho da rodovia dentro do município. Uma hora perdida não por acidente, não por obra emergencial, não por desastre natural, mas por uma política de trânsito incapaz de compatibilizar segurança com eficiência.
O mais grave é que essa situação não é nova. Ela se repete diariamente diante dos olhos das autoridades. Todos sabem do problema. Todos conhecem as consequências. E, mesmo assim, nada muda.
É evidente que a preservação da vida deve ser prioridade absoluta. Mas usar esse argumento para justificar qualquer medida, sem análise de seus efeitos reais, é uma distorção perigosa. Segurança viária não pode ser sinônimo de paralisia viária.
O cidadão tem o direito de perguntar: por que uma rodovia federal estratégica é obrigada a funcionar como uma rua local? Por que não se investe em passarelas, acessos seguros, vias marginais e soluções modernas de engenharia de tráfego? Por que a opção mais fácil continua sendo reduzir velocidades a níveis incompatíveis com a função da própria rodovia?
A percepção popular é inevitável: quando a consequência direta de uma medida é a multiplicação de multas e a formação permanente de engarrafamentos, surge a suspeita de que a arrecadação acabou ganhando mais importância do que a mobilidade.
O Estado existe para facilitar a vida da sociedade, não para criar obstáculos artificiais que aumentam custos, desperdiçam combustível, elevam a poluição e roubam horas preciosas de trabalhadores, estudantes, transportadores e famílias.
A BR-101 não pode continuar sendo o retrato da omissão e da falta de planejamento. Pernambuco precisa de soluções técnicas, corajosas e definitivas para o trecho de Igarassu. O que não pode continuar é a passividade diante de um problema que prejudica diariamente milhares de pessoas e compromete uma das principais artérias econômicas do Nordeste.
A paciência da população está chegando ao limite. E com razão.