“A POLÍTICA AMA A TRAIÇÃO, MAS ODEIA O TRAIDOR.” LEONEL BRIZOLA
Bem-aventurados os que dormem, porque os outros ouvirão motocicletas.
Há algo de mágico nas noites da cidade. O silêncio começa a se instalar, as famílias descansam, os idosos dormem, as crianças sonham, até que surge ele, o cavaleiro do apocalipse sobre duas rodas, empunhando seu escapamento aberto como um trompete celestial, anunciando sua passagem aos quatro cantos do município.

E, curiosamente, não aparece um único cristão para defender o cidadão comum desse verdadeiro culto ao som ensurdecedor. Talvez estejam todos dormindo, vencidos pelo ronco metálico que, ao que parece, foi oficialmente reconhecido como patrimônio imaterial da falta de bom senso.
Que Deus proteja nossos tímpanos, porque a fiscalização, pelo visto, já entregou nas mãos da providência divina.Álbum de Família
A convenção do PL que homologou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência acabou produzindo uma curiosa inversão de papéis: o candidato era Flávio, mas os protagonistas foram os Bolsonaro.
Pelos telões passaram Eduardo, Carlos, Michelle e Jair Bolsonaro – este último em uma aparição produzida por inteligência artificial. Em determinado momento, a sensação era a de que faltava apenas a tradicional foto de família para encerrar a programação.

Entre os presentes, a leitura era inevitável: o PL continua sendo um partido de forte identidade familiar. Não por acaso, as manifestações mais calorosas foram reservadas às referências ao ex-presidente Jair Bolsonaro, ainda o principal cabo eleitoral da legenda.
A cerimônia só ganhou contornos mais amplos com a presença de Tarcísio de Freitas, tratado por muitos como herdeiro político natural do bolsonarismo, e do presidente argentino Javier Milei, responsável por elevar a temperatura do auditório e lembrar que a direita latino-americana vai muito além das fronteiras brasileiras.
Ao final, Flávio teve sua candidatura homologada. Mas a impressão deixada pela convenção foi a de que, no PL, as eleições podem mudar, os candidatos podem mudar e até os formatos podem mudar – afinal, agora há Bolsonaro até em versão IA. O sobrenome, porém, permanece como a principal marca do partido.
O Rio Tem Três Candidatos
A oficialização da candidatura de Anthony Garotinho pelo Republicanos consolidou mais uma peça no já movimentado tabuleiro eleitoral do Rio de Janeiro. Ex-governador e figura conhecida da política fluminense, Garotinho retorna à disputa apostando no recall eleitoral e na experiência acumulada ao longo de décadas de vida pública.
Com isso, os três principais campos políticos do estado começam a desenhar seus candidatos. O PSD confirmou o prefeito da capital, Eduardo Paes, enquanto o PL homologou o deputado estadual Douglas Ruas, nome que buscará representar o eleitorado alinhado ao bolsonarismo.
O cenário, que ainda deve ganhar novos capítulos, reúne perfis bastante distintos: Paes, com a força administrativa da prefeitura do Rio; Douglas Ruas, apostando na renovação e no apoio da direita; e Garotinho, tentando transformar sua trajetória política em ativo eleitoral.
A largada foi dada. E, ao que tudo indica, a disputa pelo Palácio Guanabara promete colocar frente a frente três gerações e três projetos distintos para o futuro do Rio de Janeiro.
Convenções dão início à corrida eleitoral no Rio Grande do Norte

O Rio Grande do Norte vive um fim de semana decisivo para o processo eleitoral de 2026. Após a convenção da Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV), realizada neste sábado (25), o Estado volta suas atenções para as convenções da Federação União Progressista (UNIÃO BRASIL e PP) e do Partido Liberal (PL), programadas para este domingo (26).
Os eventos marcam a oficialização de candidaturas, alianças e estratégias, consolidando o início da disputa eleitoral no Estado. Com os principais grupos políticos mobilizados em sequência, o fim de semana representa a largada formal da campanha e inaugura uma nova etapa do debate político no Rio Grande do Norte.
A conta das convenções
Quem acompanha as convenções partidárias no Rio Grande do Norte tem se deparado com uma matemática curiosa. A cada evento, os números de prefeitos apoiando os grupos políticos parecem crescer em ritmo acelerado.
O detalhe é que, na hora da conta, entram na mesma lista prefeitos, ex-prefeitos, lideranças municipais e aliados históricos. O resultado é que, somando os anúncios feitos por todos os grupos, o RN – que tem 167 municípios – já teria muito mais prefeitos do que a própria realidade permite.
Na política, como na matemática eleitoral, às vezes a conta depende muito mais do critério de quem soma do que dos números oficiais.

O trem que a burrice aposentou
Houve um tempo em que era possível embarcar em Natal e chegar a Recife de trem. Uma ligação ferroviária que integrava cidades, aproximava mercados e oferecia uma alternativa de transporte entre dois importantes centros do Nordeste.
Funcionou por décadas, passou pela Great Western e depois pela RFFSA, até ser lentamente empurrada para o abandono. Como tantas outras ferrovias brasileiras, acabou condenada ao esquecimento em nome de uma suposta modernização que privilegiou estradas, caminhões e ônibus.
O curioso é que, décadas depois, o mundo inteiro redescobre a importância dos trilhos para transporte eficiente e sustentável. Enquanto isso, o Brasil olha para os antigos leitos ferroviários tentando lembrar onde foi parar uma infraestrutura que já existia.
Difícil não imaginar que, além da conhecida falta de planejamento, também pesaram interesses de quem sempre ganhou com um país dependente do asfalto e da roda.
No fim, Natal e Recife perderam mais que um trem. Perderam uma conexão que a inteligência administrativa poderia ter preservado, mas que a velha combinação de miopia, interesses particulares e decisões equivocadas tratou de aposentar.
O Estado perdeu trilhos, oportunidades e tempo. Quem vai recuperar o caminho?
Pílulas
- Artur Antunes Coimbra, o craque Zico, vem ao Rio Grande do Norte participar de um evento promovido pelo Sebrae RN, em Mossoró, no final do mês de agosto. Ídolo de gerações e referência dentro e fora dos gramados, o Galinho de Quintino deverá compartilhar experiências sobre liderança, trabalho em equipe, superação e alta performance, temas que marcaram sua trajetória vitoriosa. Sem dúvida, uma presença que engrandece a programação e promete atrair as atenções.
- Quem assistiu Santos x Chapecoense na Vila Belmiro percebeu rapidamente: Neymar está no time errado. O Santos de hoje é pequeno para o tamanho do seu talento. Se quiser voltar a exibir um futebol diferenciado, competitivo e protagonista, o camisa 10 precisa estar em um ambiente de alta performance, cercado por grandes jogadores e disputando títulos. No futebol brasileiro atual, Flamengo e Palmeiras oferecem isso.
- Quem circulou pelo calçadão de Ponta Negra nas primeiras horas da manhã deste sábado foi a professora Claudia Costin, uma das maiores referências brasileiras na área da educação. Caminhando tranquilamente e apreciando a paisagem de um dos principais cartões-postais de Natal, a ex-secretária municipal de Educação do Rio de Janeiro e fundadora do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais da FGV chamou a atenção de quem a reconheceu durante o passeio.
- Brasileirão – Série A, jogos deste domingo: Bahia x Corinthians, Cruzeiro x Botafogo, Grêmio x Fluminense, Bragantino x Coritiba, Flamengo x São Paulo, Remo x Vitória, Palmeiras x Atlético-MG. Resultados dos deste sábado: Athletico-PR 2 x 0 Internacional, Santos 2 x 2 Chapecoense, Vasco da Gama 1 x 1 Mirassol.
Aniversariantes
Parabéns aos aniversariantes deste de domingo, 26 de julho: Sr. Pedro Nascimento, Rominna Jácome, Sara Valcácio, Ana Miriam Machado, Bernardo Lima, Raquel Lima, José Maxwell de Albuquerque
Manchetes
Folha de S.Paulo – Economia perde fôlego, e governo Lula aciona estímulos pré-eleitorais
O Globo – Flávio é lançado candidato, ataca PT e promete ´subir a rampa` com Bolsonaro
O Estado de S. Paulo – CAMINHOS PARA MUNICIAR O ESTADO CONTRA O CRIME