A pesquisa Real Time Big Data, registrada no Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco sob o número PE-08413/2026, divulgada nesta sexta-feira (31), confirma que Pernambuco deverá protagonizar uma das disputas estaduais mais equilibradas das eleições de 2026.
O levantamento foi realizado entre os dias 27 e 30 de julho, ouvindo 1.600 eleitores em todas as regiões do Estado. A pesquisa possui margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%, números que lhe conferem consistência estatística.
O principal dado do levantamento é o empate técnico entre a governadora Raquel Lyra (PSD) e o prefeito do Recife, João Campos (PSB). No cenário estimulado, Raquel aparece com 44% das intenções de voto, enquanto João registra 42%. Os demais candidatos aparecem bem distantes: Ivan Moraes (PSOL) soma 3%, enquanto Renan Hallais (Missão) e Guilherme Fonseca (PSTU) registram 1% cada. Os votos brancos e nulos representam 6%, e 4% dos entrevistados não souberam responder.
Mais do que a diferença numérica entre os dois líderes, chama atenção a consolidação da polarização. Juntos, Raquel e João concentram 86% das intenções de voto, deixando um espaço bastante reduzido para candidaturas alternativas.
A pesquisa espontânea reforça esse cenário. Sem que os nomes sejam apresentados ao entrevistado, Raquel é lembrada por 21% do eleitorado e João por 20%. O dado mais relevante, entretanto, é que 45% dos entrevistados ainda não conseguem apontar espontaneamente um candidato, sinalizando que parte significativa do eleitorado permanece com baixa cristalização do voto.
Mas o aspecto mais interessante da pesquisa talvez esteja fora da pergunta eleitoral.
A governadora Raquel Lyra chega à disputa com um patrimônio político importante: 61% dos pernambucanos aprovam sua administração, contra 37% que a desaprovam. Na avaliação qualitativa, 35% classificam o governo como ótimo ou bom, 45% como regular e apenas 19% o consideram ruim ou péssimo.
Esses números ajudam a explicar por que a governadora permanece competitiva. Ao mesmo tempo, revelam um desafio: sua aprovação é significativamente maior do que sua intenção de voto. Em outras palavras, existe um contingente expressivo de eleitores que reconhece positivamente o governo, mas que ainda não transformou essa avaliação em decisão eleitoral.
Essa diferença poderá ser um dos principais campos de disputa da campanha.
Por outro lado, João Campos demonstra uma capacidade competitiva que talvez seja o dado politicamente mais expressivo do levantamento. Mesmo enfrentando uma governadora bem avaliada e no exercício do cargo, consegue manter a eleição rigorosamente empatada. Isso evidencia que sua força eleitoral ultrapassa os limites da capital e o coloca como um adversário altamente competitivo em âmbito estadual.
Os recortes da pesquisa mostram, inclusive, que cada candidato possui bases distintas. João lidera entre os eleitores mais jovens e entre aqueles com renda de até dois salários mínimos. Raquel apresenta desempenho superior entre os eleitores mais velhos e entre as faixas de renda média e alta. São perfis diferentes que tendem a orientar as estratégias das campanhas nos próximos meses.
A simulação de segundo turno confirma o equilíbrio. Raquel Lyra registra 45%, enquanto João Campos alcança 44%, diferença que permanece totalmente inserida na margem de erro da pesquisa.
Outro dado que merece atenção é o potencial de voto dos dois principais candidatos. Tanto Raquel quanto João registram 24% de eleitores que afirmam votar neles com certeza e apresentam níveis muito semelhantes de rejeição, indicando que nenhum dos dois dispõe, neste momento, de vantagem significativa nesse aspecto.
Na disputa pelas duas vagas ao Senado, o levantamento coloca Marília Arraes (PDT) na liderança. No cenário consolidado, ela aparece com 28%, seguida por Humberto Costa (PT), com 21%, e Eduardo da Fonte (PP), com 18%. No cenário em que Eduardo é substituído por Miguel Coelho (União Brasil), Marília mantém a dianteira com 27%, Miguel alcança 22% e Humberto Costa registra 20%, desenhando uma disputa bastante competitiva pelas duas cadeiras.
Embora a campanha ainda nem tenha começado oficialmente, a pesquisa já permite algumas conclusões. A primeira é que Pernambuco caminha para uma eleição claramente polarizada entre Raquel Lyra e João Campos. A segunda é que a governadora chega fortalecida pelos índices de aprovação de sua gestão, mas ainda precisa converter parte desse capital político em votos. A terceira é que João Campos demonstra competitividade suficiente para neutralizar a vantagem natural de quem ocupa o governo.
Por enquanto, a única certeza oferecida pelos números é que não há favorito. O cenário permanece aberto, equilibrado e sujeito às movimentações que as campanhas produzirão até outubro. Em uma eleição tão ajustada, pequenos deslocamentos do eleitorado poderão definir quem comandará Pernambuco pelos próximos quatro anos.