
O primeiro debate entre os candidatos ao Governo do Rio Grande do Norte foi equilibrado e, na minha avaliação, não produziu nenhum fato político capaz de mudar, por si só, o cenário eleitoral. Mas há uma questão importante: não é possível avaliar todos os candidatos pela mesma régua.
Allyson Bezerra entrou no debate na condição de líder e, portanto, como o alvo a ser abatido. Era previsível que recebesse ataques de todos os lados. E recebeu. O que não era tão previsível era sair do confronto sem que os ataques conseguissem comprometer sua imagem.
Na minha avaliação, foi justamente aí que Allyson levou vantagem.
Ele não precisava necessariamente “ganhar” o debate. Precisava resistir aos ataques, responder bem e não permitir que os adversários estabelecessem uma narrativa negativa sobre sua candidatura. E conseguiu fazer isso. Saiu do debate preservado – e, para quem lidera a disputa, isso já é uma vitória importante.
Cadu Xavier começou aparentemente nervoso, mas cresceu durante o debate. Terminou melhor do que começou, embora, na minha opinião, tenha ficado abaixo do que poderia apresentar. Talvez a inexperiência tenha pesado. Tinha uma oportunidade importante para mostrar não apenas o defensor do governo Fátima, mas o Cadu candidato ao Governo.
Álvaro Dias mostrou preparação. Já sabia que seria cobrado pela engorda de Ponta Negra e pelo Hospital Municipal de Natal e veio pronto para responder. A apresentação da imagem da engorda foi uma boa estratégia de comunicação, porque transformou a defesa em algo visual. Conseguiu, assim, evitar que esses temas dominassem negativamente sua participação.
Robério Paulino manteve sua postura habitual. Apresentou suas críticas, preservou sua identidade e pareceu participar do debate sem a pressão que pesa sobre os candidatos que disputam as primeiras posições.
No conjunto, portanto, ninguém foi nocauteado e ninguém produziu um momento capaz de mudar a eleição.
Mas existe uma diferença importante: Allyson era o alvo. Os outros eram, em alguma medida, os atiradores.
E quando o principal alvo atravessa o debate, recebe ataques de todos os lados e termina a noite sem sair politicamente ferido, é razoável dizer que levou alguma vantagem.
Não acredito, entretanto, que o debate tenha alterado significativamente as intenções de voto. A campanha está apenas começando e ainda haverá muita exposição, propaganda, novos debates e confronto político.
O primeiro debate serviu mais para confirmar posições do que para transformar o cenário.
Allyson mostrou resistência e boa presença cênica; Álvaro mostrou preparo; Cadu mostrou capacidade de evolução; e Robério manteve sua linha.
No placar geral, foi um debate equilibrado. Mas, pela posição que ocupava antes de entrar no estúdio e pelo fato de ter sido o principal alvo dos adversários, Allyson talvez tenha sido quem mais saiu ganhando.