
A corrupção continua sendo uma das grandes chagas do Brasil – e a própria sociedade reconhece isso. Pesquisa Quaest divulgada nesta sexta-feira (14) mostra que 14% dos eleitores apontam a corrupção como um dos principais problemas do país, empatada com a saúde e atrás apenas da violência, citada por 33%, e da economia, com 15%.
Os números ajudam a dimensionar o tamanho do problema. Somente em 2025, segundo a Controladoria-Geral da União, 76 operações especiais realizadas em conjunto com a Polícia Federal identificaram mais de R$ 13,6 bilhões em prejuízos ao erário. No mesmo ano, processos de responsabilização conduzidos pela CGU resultaram em mais de R$ 1,2 bilhão em multas.
Não é pouca coisa. A corrupção rouba dinheiro público, destrói a confiança nas instituições e, principalmente, tira do cidadão aquilo que deveria chegar até ele em forma de saúde, educação, segurança, saneamento, infraestrutura e serviços públicos de qualidade.
Mas há uma contradição que precisa ser enfrentada: a sociedade reclama da corrupção, mas muitas vezes continua elegendo – e reelegendo – políticos com histórico comprovado de práticas ilícitas. É preciso romper definitivamente com essa tolerância.
Não existe justificativa para o “rouba, mas faz”. Quem rouba dinheiro público não está fazendo favor a ninguém. Está utilizando recursos que pertencem à coletividade. Cada real desviado representa uma oportunidade perdida para melhorar a vida de alguém.
E não basta esperar que a Polícia Federal investigue, que o Ministério Público denuncie, que os tribunais julguem e que os órgãos de controle fiscalizem. A sociedade também precisa fazer a sua parte.
O voto é uma das maiores armas contra a corrupção. O eleitor precisa pesquisar a vida dos candidatos, conhecer seus antecedentes, acompanhar seus mandatos e cobrar explicações. E, principalmente, não votar em corrupto.
A democracia não termina na urna. A responsabilidade do eleitor também não.
É preciso acabar com a cultura da conveniência, do favor pessoal e do “todo mundo rouba”. Não, não pode ser assim. Nem todo político é corrupto, e justamente por isso aqueles que comprovadamente desviam recursos públicos precisam ser rejeitados nas urnas.
O Brasil não pode aceitar a corrupção como uma espécie de doença crônica contra a qual nada se pode fazer. Pode, sim, enfrentá-la – com instituições fortes, transparência, fiscalização, punição e, sobretudo, com uma sociedade que se recuse a premiar corruptos com novos mandatos.
Porque corrupção não é esperteza. Não é “jeitinho”. Não é habilidade política.
É crime contra o dinheiro público. É crime contra o cidadão. E quem rouba o dinheiro de todos não deveria receber o voto de ninguém.
Fonte: Pesquisa Quaest, divulgada em 14 de agosto de 2026. Registro TSE: BR-06773/2026.
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