Hoje é Dia do Perdão. E se existe um povo especialista no assunto, é o brasileiro.
Perdoa o político que o engana. Perdoa aquele que passa quatro anos sem lembrar que ele existe, mas aparece sorridente, apertando sua mão e pedindo seu voto quando a eleição se aproxima.
Perdoa quem não entrega uma educação minimamente digna aos seus filhos. Perdoa quem promete saúde, segurança, emprego e dignidade – e entrega desculpas, discursos e justificativas.
Perdoa até quem rouba. E, às vezes, perdoa também quem deixa roubar. Perdoa quem nega o óbvio, quem muda de opinião conforme a conveniência, quem culpa o adversário por tudo e nunca assume responsabilidade por nada.
O brasileiro perdoa.
Perdoa tanto que, de quatro em quatro anos, parece sofrer de uma curiosa amnésia eleitoral: esquece o que lhe fizeram e volta a acreditar no que lhe prometem.
Talvez porque o brasileiro seja generoso. Talvez porque tenha esperança. Talvez porque queira acreditar que, desta vez, será diferente.
Mas há um detalhe incômodo: perdoar não deveria significar esquecer.
Perdão é uma virtude. Esquecimento, na política, pode custar caro.
E o brasileiro, que perdoa quase tudo, precisa aprender uma coisa simples: quem pede o nosso voto não está nos fazendo um favor. O favor é nosso – quando escolhemos.
Então, neste Dia do Perdão, fica o nosso perdão.
Mas, nesta eleição, talvez seja melhor levar também a memória.