A disputa pelas duas vagas do Rio Grande do Norte no Senado apresenta uma característica que exige atenção especial na leitura das pesquisas: cada eleitor poderá votar em dois candidatos. Por isso, olhar apenas para a primeira opção não oferece uma fotografia completa da eleição. A nova pesquisa Real Time Big Data, realizada entre 5 e 9 de setembro com 1.600 eleitores e registrada sob o número RN-08492/2026, apresenta separadamente primeiro e segundo votos e também um quadro consolidado, reduzido à base de 100%. O levantamento consta na agenda de pesquisas eleitorais registradas para divulgação nesta quinta-feira.
No primeiro voto, os números apresentados no levantamento são: Styvenson Valentim (Podemos), 21%; Samanda de Lula (PT), 17%; Zenaide Maia (PSD), 14%; Rafael Motta (PDT), 14%; Coronel Hélio (PL), 11%; Tércio Tinôco (União Brasil), 5%; e Sandro Pimentel (PSOL), 1%. Nulos e brancos somam 8%, enquanto 9% não sabem ou não responderam.
A fotografia muda quando se observa o segundo voto. Zenaide registra 16%; Styvenson, Samanda e Rafael aparecem com 14% cada; Tércio Tinôco tem 8%; Coronel Hélio, 5%; Sandro Pimentel e Sônia Godeiro aparecem com 1% cada. Nesse recorte, nulos e brancos representam 12%, e 15% não sabem ou não responderam.
O próprio levantamento apresenta ainda um resultado consolidado dos dois votos, reduzido para uma escala de 100%. Nessa apresentação, Styvenson registra 18%, Samanda 16%, Zenaide 15%, Rafael 14%, Coronel Hélio 8%, Tércio Tinôco 6% e Sandro Pimentel 1%. Nulos e brancos ficam em 10% e os indecisos em 12%.
Do ponto de vista numérico, a principal informação dessa pesquisa está justamente na diferença entre a composição do primeiro e do segundo voto de cada candidatura. Styvenson registra 21% no primeiro e 14% no segundo; Samanda, 17% e 14%; Zenaide, 14% e 16%; Rafael, 14% e 14%; Coronel Hélio, 11% e 5%; e Tércio, 5% e 8%. Esses números ajudam a identificar como as intenções declaradas se distribuem entre as duas escolhas permitidas ao eleitor, sem que uma delas tenha valor diferente na apuração: primeiro e segundo votos valem exatamente a mesma coisa na urna.
Esse detalhe é fundamental. Na eleição para o Senado, não existe segundo turno: serão eleitos os dois candidatos que obtiverem o maior número de votos válidos em 4 de outubro. Por isso, pesquisas que apresentam separadamente primeira e segunda escolhas precisam ser interpretadas considerando ambas. Levantamentos recentes no RN vêm utilizando metodologias diferentes para apresentar essa característica, inclusive soma dos dois votos ou conversão para uma escala comum de 100%.
Politicamente, portanto, o dado mais relevante dessa rodada é a própria distribuição das duas escolhas do eleitorado. Há candidaturas cuja intenção declarada se concentra mais no primeiro voto, outras que recebem parcela importante das menções como segunda escolha e outras que apresentam números semelhantes nos dois campos. É essa soma, no dia da eleição, que determinará as duas cadeiras do Rio Grande do Norte.
Outro elemento que merece acompanhamento é o volume de eleitores que ainda aparece fora de uma escolha nominal. No primeiro voto, 17% estão entre nulos/brancos e NS/NR; no segundo, esse contingente chega a 27%. Como se trata de duas escolhas independentes, esses percentuais não devem ser simplesmente somados entre si, mas indicam que ainda existe parcela relevante de intenções não atribuída a candidatos no levantamento.

