Afinal, de quem é o palanque?

A diferença entre as avaliações de Lula e Fátima Bezerra no Rio Grande do Norte cria uma situação curiosa para quem pretende disputar a eleição associado aos dois governos.
De um lado, Lula chega com 60% de aprovação. Do outro, o governo Fátima carrega 60% de desaprovação. Mesmo partido, mesmo campo político, mesmo eleitorado – mas avaliações quase espelhadas em sentidos opostos.
E aí nasce a pergunta incômoda: na hora de pedir votos, qual fotografia vai pesar mais?
Os candidatos governistas naturalmente podem buscar a associação com Lula. Mas não poderão simplesmente apagar oito anos de governo estadual da fotografia eleitoral. O eleitor que aprova Brasília é o mesmo que, segundo a pesquisa, majoritariamente desaprova a administração estadual.
É justamente aí que 2026 pode produzir um fenômeno interessante no Rio Grande do Norte: a popularidade de Lula e a impopularidade de Fátima estarão no mesmo palanque, mas não necessariamente terão o mesmo peso na cabeça do eleitor.
E existe uma pergunta ainda sem resposta: até onde Lula consegue transferir seu prestígio para aliados no Estado – e até onde a avaliação do governo Fátima limita essa transferência?
A campanha talvez seja, entre outras coisas, a disputa para saber qual dos dois sentimentos falará mais alto na urna.