O ministro da articulação política do governo Lula, José Guimarães, decidiu explicar qual deve ser, na sua visão, a nova estratégia da campanha contra Flávio Bolsonaro. A palavra escolhida foi particularmente delicada: é preciso “destruir a imagem” de “bom moço” do adversário. Segundo o ministro, a estratégia anterior de evitar o confronto direto foi um erro.
Destruir. É o verbo usado por um ministro de Estado em plena campanha presidencial.
E aí surge uma dúvida quase inevitável: mais agressividade? É possível elevar ainda mais a temperatura de uma campanha que já vem sendo marcada pelo confronto? Dá para ser mais ferino, mais contundente, mais destrutivo – para usar o vocabulário escolhido pelo próprio ministro – do que já estamos assistindo?
Naturalmente, disputa eleitoral pressupõe crítica, confronto de ideias e cobrança do adversário. Mas quando um ministro responsável justamente pela articulação política anuncia que é hora de “destruir” a imagem de um candidato, o vocabulário escolhido também diz alguma coisa sobre o ambiente político que se pretende construir.
Talvez esteja aí uma das grandes pobrezas da política brasileira contemporânea: em vez de elevar o debate, parte de seus protagonistas parece empenhada em elevar o tom. E depois ainda nos perguntamos por que a política brasileira chegou a esse nível.
