QUANDO A RETÓRICA ENGANA
No ano eleitoral, é comum observar uma metamorfose surpreendente em certos políticos. Atores hábeis na arte de ludibriar o eleitor, passam a defender pautas que, muitas vezes, destoam completamente de sua trajetória e prática política. A retórica muda, ações contraditórias surgem e posturas antes discretas se tornam radicais ou espetaculosas, em uma tentativa de moldar a percepção da sociedade.
Exemplos não faltam: aqueles que historicamente reduziram investimentos em infraestrutura agora aparecem como paladinos de obras; defensores ferrenhos de projetos poluentes de repente celebram agendas verdes; parlamentares que durante anos resistiram à prestação de contas exibem com pompa compromissos com a ética e a transparência. E ainda tem aqueles contrários as privatizações que em ano eleitoral falam em PPPs, como instrumento introdutório da nova pauta e, em seguida, defendem até privatizações. E aqueles que sempre são contra as empresas e passam a defendê-las fervorosamente? A mudança é tão abrupta que deixa claro: nem sempre se trata de convicção, mas de uma performance cuidadosamente ensaiada para conquistar o eleitorado.
Parece estratégia para criar uma nova narrativa, muitas vezes mais atraente ou conveniente para conquistar votos.
Essa dança de aparências revela uma face do jogo eleitoral: mais do que defender ideias, alguns políticos buscam gerar consenso ilusório e seduzir a opinião pública, transformando ações e palavras em instrumentos de persuasão que podem confundir o eleitor menos atento.
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