No evento dos 46 anos do PT, o presidente Lula resolveu avisar: “acabou o Lulinha paz e amor e a eleição será uma guerra”. Ironicamente, num país que sofre com a falta de segurança, a guerra oficialmente declarada veio logo do discurso político.
Curioso é que essa guerra sempre aparece quando começa a campanha. Em tempos normais, o discurso é de união; quando o calendário eleitoral se aproxima, a paz tira férias.
Na prática, não é uma mudança de personalidade, é de figurino. Lula sabe que eleição não se ganha mais com abraço e retrospectiva, mas com confronto de narrativa. A palavra guerra entra em cena menos como realidade e mais como estratégia: serve para animar a militância, justificar o tom duro e preparar o terreno para os costumeiros ataques e eventuais defesas.
O problema é que, enquanto o discurso esquenta, o país segue precisando de menos guerra e mais solução. A dúvida que fica é se essa batalha anunciada é só contra adversários políticos ou contra a própria necessidade de governar sem palanque. Porque guerra pode até render voto, mas raramente resolve o pós-eleição.
No fim, o paz e amor, uma bela sacada de Duda Mendonça em 2002 para o beligerante candidato de todas as eleições, não morreu, só ficou guardado na gaveta, esperando a próxima conveniência eleitoral. O ano promete.