A polêmica ganhou novo capítulo em outro trecho do desfile da Acadêmicos de Niterói, desta vez envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em tom interpretado por muitos como deboche, o primeiro carro alegórico trouxe a representação de Bolsonaro vestido de terno azul e caracterizado como Bozo, apelido usado por adversários políticos para associá-lo à figura de um palhaço. A alegoria reforçou a crítica ao retratá-lo de forma caricata, evidenciando uma abordagem satírica.
A provocação visual foi além. No quarto carro alegórico, a figura reapareceu atrás de grades, vestindo uniforme de presidiário e com uma tornozeleira eletrônica danificada, imagem que intensificou o caráter de crítica e ironia política adotado pela escola.
Para críticos, a encenação extrapolou a sátira tradicional do Carnaval e assumiu contornos de ataque político direto, com intenção clara de ridicularização. Já defensores argumentam que a irreverência, o exagero e a crítica a figuras públicas fazem parte da essência histórica da festa, que sempre dialogou com temas sociais e políticos.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro reagiu afirmando que “quem foi preso por corrupção foi o petista”, em referência ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A declaração ampliou o embate político em torno do desfile e levou a discussão da avenida para o campo das redes sociais e do debate partidário.