Sai ou Fica? A novela política do RN.
Encerrado o Carnaval, com direito a frevo, confete e discursos de camarote, o Rio Grande do Norte volta ao seu enredo mais tradicional: a novela política. Sai o trio elétrico, entra o suspense institucional. A pergunta que ecoa nos corredores do Centro Administrativo não é sobre o campeão do desfile, mas sobre o destino da governadora Fátima Bezerra: sai ou não sai do Governo para disputar o Senado? E, saindo, haverá vacância com roteiro previsível ou uma reviravolta digna de último capítulo?
Pela Constituição, o caminho é claro: se a governadora deixar o cargo, o vice abrir mão, assume o presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira. Mas na política potiguar, o óbvio quase nunca é simples. Ezequiel vai topar a parada e assumir o Governo? Se assumir, fará uma gestão protocolar, de transição silenciosa ou aproveitará a vitrine para imprimir sua marca própria? Há quem aposte num movimento ousado: contratar consultoria, fazer um raio-x das contas públicas, abrir os números ao Estado, reposicionar prioridades, sinalizar modernização administrativa e, quem sabe, pavimentar o caminho para um projeto de reeleição com discurso de responsabilidade fiscal e inovação.
Por outro lado, existe o roteiro alternativo: Ezequiel pode preferir disputar a reeleição para a Assembleia e conduzir, nos bastidores, a escolha de um nome de confiança para um mandato-tampão, preservando capital político e evitando o desgaste de um governo de curto prazo em meio a pressões fiscais e demandas reprimidas. Em qualquer cenário, o fato é que o pós-Carnaval no RN não tem quarta-feira de cinzas, tem interrogação. E, como toda boa novela, o público já escolheu seus protagonistas. Falta saber quem aceitará o papel principal quando as luzes do plenário substituírem os refletores da avenida.