Da política ao rebaixamento.
A Acadêmicos de Niterói estreou no grupo especial do carnaval carioca achando que a Marquês de Sapucaí era extensão da Esplanada. Fez homenagem efusiva ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, puxou coro político de Lula Lá na arquibancada, debochou do ex-presidente Jair Bolsonaro nas alegorias e ainda embalou a família em lata de conserva.
Foi menos desfile, mais sessão política com bateria.
Esqueceram apenas de um detalhe: jurado não vota por aplauso ideológico, vota por quesito. Enquanto a escola apostava na retórica política, a planilha cobrava o básico: evolução sem tropeço, harmonia sem ruído, alegoria sem improviso. Política na avenida dá manchete, desfile mal ajustado tira décimo. Na Sapucaí, quem troca evolução por provocação pode até viralizar, mas também pega rapidinho o caminho de volta. Porque no Carnaval do Rio, o samba pode até ser ideológico, mas a nota é matemática.