O que o governo do RN não quer mostrar?
Um dos problemas mais recorrentes da política do Rio Grande do Norte é a falta de transparência em relação à gestão do Estado. Deputados, jornalistas e cidadãos frequentemente relatam a mesma dificuldade: não há acesso claro, atualizado e confiável às informações básicas sobre a situação administrativa e financeira do governo.
Questões centrais permanecem sem respostas objetivas. Não se sabe, por exemplo, qual é o tamanho real do déficit fiscal do Estado; quantos cargos comissionados existem atualmente na estrutura administrativa; quantos veículos são alugados pela máquina pública; qual o montante de consignados descontados dos servidores e ainda não repassados às instituições financeiras; qual o valor atualizado da dívida com fornecedores; nem quanto o Estado deve em repasses atrasados aos municípios.
A ausência de dados oficiais, sistematizados e facilmente acessíveis gera um ambiente de incerteza permanente. Questionamentos feitos por parlamentares raramente recebem respostas completas e a sociedade segue sem instrumentos para acompanhar, de forma transparente, a real situação das contas públicas.
Esse cenário também provoca questionamentos sobre a atuação dos órgãos de controle. Muitos observadores lembram que, em outros momentos da história recente do estado, o Ministério Público do Estado do Rio Grande do Norte cobrou com mais firmeza a divulgação de informações e a transparência da gestão pública. Hoje, diante do volume de dúvidas que permanecem sem esclarecimento, cresce a cobrança para que haja maior rigor na exigência de transparência total dos números do governo estadual.
Talvez seja justamente esse o receio: que um governador eleito para um eventual mandato-tampão, sem compromisso político com o atual governo, tenha acesso aos números reais e mostre à sociedade a verdadeira dimensão da situação financeira do Estado.