Não, não e não, quando a política decide surpreender.
Nos bastidores do ato de filiações do PL, que ganhou musculatura com a presença do senador Flávio Bolsonaro e serviu como vitrine da chapa para 2026, o clima foi tudo, menos protocolar. Por trás dos sorrisos e das fotos, o que se viu foi uma guerra silenciosa, intensa e, no fim das contas, decisiva.
A tentativa de emplacar o deputado Ezequiel Ferreira, presidente da Assembleia Legislativa, como candidato ao Senado, numa dobradinha com o senador Styvenson Valentim, mobilizou articulações pesadas, pressões explícitas e movimentos de bastidor dignos de roteiro político. O alvo era claro: rifar o nome do Coronel Hélio, um bolsonarista raiz, desde a primeira hora.
A pressão sobre Álvaro Dias, Babá Pereira e aliados foi intensa. Mas, no fim, quem deu a palavra final foi o senador Rogério Marinho. E não teve meio-termo: bateu o martelo e sacramentou a candidatura do Coronel Hélio.
Nos bastidores, o argumento que prevaleceu foi duro e direto: não havia espaço para oportunismo político. Pesou contra Ezequiel o histórico de alinhamento com o governo Fátima Bezerra e com o PT, justamente no momento em que o cenário aponta desgaste da gestão e abre caminho para a oposição. A leitura foi simples e implacável: não dá para chegar agora querendo protagonismo quem não esteve no front.
Também não passou despercebida a tentativa de “pegar carona” na força eleitoral de Styvenson. O movimento foi visto com desconfiança, gerou resistência interna e teve comentários para todos os gostos, alguns impublicáveis.
No fim, a mensagem do PL foi clara: lealdade pesa, trajetória conta e coerência, nesse jogo, vale mais do que articulação de última hora. Ezequiel tentou. Mas encontrou mais portas fechadas do que apoios.
E assim, em um ambiente historicamente moldado por acordos de conveniência, concessões silenciosas e pelo já desgastado fisiologismo, a posição do partido não apenas se destaca, ela surpreende, rompe expectativas e sinaliza, enfim, uma possível mudança de rota.