Os ídolos bons nos deixam órfãos.
Confesso: chorei em silêncio pela perda de Oscar. Não foi um choro barulhento, foi daqueles que vêm quietos, no meu cantinho de trabalho, enquanto eu pensava no Brasil e nas figuras boas que ainda nos fazem acreditar.
Oscar representava o bem. Um cara gentil, inteiro, verdadeiro, humilde. O ídolo que acompanhei durante toda a carreira, vibrando a cada arremesso, a cada batalha, até o dia em que ele parou – vestindo a camisa do meu Flamengo.
Hoje, a dor volta como um filme. Porque não se perde apenas um atleta. Perde-se um símbolo. Perde-se alguém que, mesmo distante, parecia próximo. Alguém que nos lembrava que é possível ser gigante sem deixar de ser simples.
Oscar se junta a Senna, outro que me fez chorar diante da TV e, depois, no cinema. Ídolos que marcaram não só pelo talento, mas pela índole, pelo coração, pela forma digna de existir. Gente que elevava o espírito e fazia a gente ter orgulho.
Essas partidas doem como se fossem de alguém da família. E talvez sejam mesmo. Porque é isso que um ídolo faz: entra na nossa vida, constrói memórias, inspira valores e deixa um vazio imenso quando parte.
Hoje, o Brasil fica um pouco mais silencioso. E eu, aqui, agradeço por ter vivido no mesmo tempo que Oscar.
Adeus, Oscar. Sua grandeza fica, a saudade também.