Nada contra investimentos em publicidade institucional. Comunicação pública é necessária, e, aliás, o que faz falta mesmo são campanhas educativas permanentes nas áreas de saúde, trânsito, cidadania e serviços essenciais. O problema começa quando a propaganda passa a vender uma realidade que ainda não existe. Aí não é comunicação, é maquiagem.
Nos últimos dias, dois exemplos chamam atenção. O Governo do Estado anunciou com destaque o Hospital Metropolitano, com cifras que chegaram a R$ 200 milhões e, posteriormente, foram somadas a outros valores para divulgar “realizações” superiores a R$ 1 bilhão. Ocorre que, na prática, não há hospital pronto, nem estrutura funcionando, nem serviço disponível ao cidadão. A propaganda é robusta, a entrega, inexistente.
No plano federal, o roteiro se repete com a duplicação da BR-304. A obra está em fase inicial, praticamente embrionária, sem impacto visível para quem trafega pela rodovia. Ainda assim, a comunicação já apresenta a iniciativa como uma realização em curso, quase como se estivesse transformando a mobilidade do estado neste momento.
A população, porém, não vive de anúncios. Vive de obras concluídas, serviços funcionando e benefícios concretos. Divulgar investimentos que ainda não se materializaram cria um descompasso entre discurso e realidade, e esse descompasso, cedo ou tarde, cobra seu preço.
Quando a propaganda vem antes da obra, o risco é simples: em vez de informar, ela passa a soar como tentativa de convencer o cidadão a acreditar em algo que ele ainda não consegue ver. E obra invisível, por melhor que seja no papel, não melhora a vida de ninguém.