Combate à corrupção precisa voltar ao centro da campanha.
Em meio ao barulho das pré-campanhas, agendas cheias e discursos cada vez mais ensaiados, um tema essencial insiste em ficar à margem do debate: o combate à corrupção. Em um país marcado historicamente por escândalos e crises institucionais, tratar esse assunto como secundário é, no mínimo, um equívoco e, no limite, um desserviço ao eleitor.
A corrupção não é um conceito abstrato. Ela se traduz em obras inacabadas, serviços públicos precários, falta de medicamentos, estradas deterioradas e oportunidades que deixam de existir. É o dinheiro que sai do bolso do cidadão e não retorna em forma de políticas públicas eficientes. Ignorar esse tema durante uma campanha eleitoral é ignorar o impacto direto que ele tem na vida das pessoas.
O Brasil já viveu momentos em que o enfrentamento à corrupção ocupou o centro do debate político, especialmente após desdobramentos da Operação Lava Jato. Ainda que o tema tenha sido, em alguns momentos, apropriado de forma seletiva ou até distorcida, ele trouxe à tona uma demanda legítima da sociedade: mais transparência, mais responsabilidade e mais rigor na gestão pública.
Hoje, no entanto, o que se percebe é uma espécie de silêncio conveniente. Pré-candidatos falam de tudo, desenvolvimento, infraestrutura, programas sociais, mas evitam aprofundar como pretendem prevenir, combater e punir desvios de recursos públicos. Faltam propostas concretas: mecanismos de controle, fortalecimento de órgãos de fiscalização, uso de tecnologia para transparência e compromisso claro com a ética na gestão.
Não se trata de transformar a campanha em um palanque moralista ou punitivista. Trata-se de reconhecer que sem integridade não há política pública que se sustente. Combater a corrupção não é uma pauta ideológica, é uma necessidade administrativa, econômica e social.
O eleitor, cada vez mais atento, precisa cobrar esse compromisso. Perguntar, insistir, comparar propostas. Mais do que promessas genéricas, é preciso exigir caminhos claros: como será garantido o uso correto dos recursos? Quais mecanismos serão criados ou fortalecidos? Qual o compromisso real com a transparência?
Colocar o combate à corrupção no centro da campanha não é olhar para o passado — é proteger o futuro. Porque, no fim das contas, não existe projeto de desenvolvimento que resista à corrosão silenciosa da corrupção.