Durante entrevista concedida nesta quarta-feira ao programa Jornal da Mix, apresentado por Papinha, o pré-candidato ao Governo do Estado, Cadu Xavier (PT), procurou associar o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, ao ex-governador Robinson Faria. Ao afirmar que “Allyson Bezerra é de Robinson Faria”, Cadu tenta construir uma narrativa que não encontra respaldo nos fatos políticos. Fake news total.
Allyson Bezerra nunca integrou o Governo Robinson Faria. Quem efetivamente participou daquela gestão foi o próprio PT, partido de Cadu Xavier. Nos dois primeiros anos do governo Robinson, os petistas ocuparam algumas das áreas mais estratégicas da administração estadual, incluindo as secretarias de Educação, Saúde e Tributação, além de órgãos como a Emater, a Fundação José Augusto e a Secretaria da Mulher.
A tentativa de transferir uma vinculação política que, na prática, existiu entre o PT e o Governo Robinson revela uma inversão histórica difícil de sustentar.
Mais curioso ainda é ver Cadu insistir em responsabilizar um governo encerrado em 2018 pelos problemas do Estado, quando ele próprio participou diretamente da administração das finanças estaduais durante praticamente toda a gestão Fátima Bezerra. Depois de quase oito anos ocupando posições centrais na condução econômica do Rio Grande do Norte, seria razoável esperar que o debate se concentrasse nos resultados atuais da gestão que ele ajudou a construir.
Afinal, a eleição de 2026 não será um julgamento sobre 2018. Será uma avaliação sobre o Rio Grande do Norte de hoje.
E os números recentes merecem atenção. Levantamentos divulgados neste ano apontaram o Rio Grande do Norte entre os estados que mais preocupam especialistas em relação à disponibilidade de caixa e ao equilíbrio das contas públicas. Em análise repercutida pela imprensa nacional hoje, o RN aparece entre os entes federativos com maior fragilidade fiscal, mesmo após dois mandatos consecutivos da atual gestão.
Por isso, antes de apontar para um governo encerrado há oito anos, talvez seja mais pertinente discutir os resultados produzidos por quem esteve no comando da política econômica do Estado durante todo esse período. A sociedade tem o direito de saber não apenas quem governou ontem, mas principalmente quem administrou o presente e quais resultados entregou.
Porque, em política, a memória é importante. Mas a realidade atual é ainda mais.
Quando o presente incomoda, o passado vira palanque.