A militância está tirando a alegria do povo?
Tem algo mudando no jeito das pessoas se relacionarem. Não é difícil perceber. Conversas simples viraram campos minados. Piadas viraram riscos. Opiniões, antes naturais, agora passam por um filtro constante de medo.
O resultado é visível: menos convivência, mais isolamento. A sensação de que “qualquer coisa pode dar problema” está travando o comportamento social. Muita gente prefere se calar a correr o risco de ser mal interpretada. Prefere não brincar, não opinar, não interagir. E quando a comunicação perde leveza, o convívio perde graça.
Não se trata de ignorar avanços importantes. Temas como respeito, igualdade e combate a crimes são necessários e devem ser levados a sério. O problema começa quando tudo vira confronto. Quando o diálogo vira acusação. Quando o ambiente social deixa de ser um espaço de troca e passa a ser um território de vigilância.
A convivência humana sempre foi imperfeita. Sempre teve exageros, erros, aprendizados. Mas também sempre teve leveza, improviso, humor. É isso que aproxima as pessoas.
Sem isso, sobra o quê? Silêncio, distância e tela. Talvez o ponto de equilíbrio esteja em resgatar o bom senso. Nem tudo é ataque. Nem tudo é militância. Nem tudo precisa virar batalha. A sociedade precisa de responsabilidade, mas também precisa de respiro.
Porque, no fim, ninguém quer viver em guerra o tempo inteiro. As pessoas só querem voltar a conviver com leveza.