Não é apenas uma eleição. É um julgamento político.

Queiram ou não, a eleição presidencial deste ano coloca em julgamento muito mais do que dois candidatos ou dois projetos de governo. Está em discussão também a maneira como o poder é exercido, como os adversários são tratados e quais limites devem existir entre os interesses de um partido e as instituições do Estado.
Entre os principais questionamentos dirigidos a Lula e ao PT estão o estilo agressivo de confronto político, a desqualificação sistemática dos adversários, o uso de narrativas contestadas como instrumento de disputa e uma cultura de intolerância que, na avaliação dos críticos, frequentemente substitui o debate de ideias pelo ataque pessoal.
Também estão sob escrutínio a relação entre partido, governo e máquina pública, as prioridades da administração federal e a condução dos gastos públicos. De um lado, o governo defende suas políticas e investimentos; de outro, seus críticos apontam excessos, desperdícios e falta de responsabilidade fiscal.
No fundo, a discussão ultrapassa a permanência ou a saída de Lula do Palácio do Planalto. O que está em julgamento é uma concepção de poder, uma forma de fazer política e, sobretudo, os limites que a sociedade brasileira deseja impor aos seus governantes.